Os Estados Unidos e seus aliados desestabilizam o Oriente Médio cada vez que se metem em algum país da região, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, nesta quinta-feira (26).
"Que o presidente norte-americano, Donald Trump, afirme que não se interessa pelo direito internacional e que se guiará por seus princípios morais e seus instintos não pode suscitar aprovação", declarou o chanceler em uma entrevista concedida à France Télévisions.
Ele afirmou que Moscou destacou aos norte-americanos, em repetidas ocasiões, a importância de estabelecer o diálogo para resolver todos os problemas do Golfo Pérsico e, em geral, da região do Oriente Médio.
"Cada vez que os EUA e seus aliados intervêm nos processos que ocorrem ali [nos países da região], a situação se torna mais desalentadora. Iraque, Síria e Líbia ficaram destruídos", relembrou Lavrov, em paralelos históricos.
Defendendo a necessidade de cumprir o direito internacional, apontou que a Rússia defende os interesses não apenas do Irã, parceiro estratégico de Moscou que está sendo objeto de agressões por parte dos EUA e de Israel desde o dia 28 de fevereiro, mas de todos os países da região.
Relembre:
No início de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista ao The New York Times que seu poder como comandante em chefe é limitado apenas por sua "própria moralidade", minimizando o papel do direito internacional e de outros mecanismos de controle sobre o uso da força.
Quando questionado sobre eventuais restrições à sua autoridade para empregar força militar globalmente, Trump respondeu de forma direta: "Sim, há uma coisa. Minha própria moralidade. Minha própria mente é a única que pode me deter".
"Não preciso do direito internacional", acrescentou.
Guerra no Oriente Médio
Na madrugada de sábado (28), Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.