Notícias

Comitê Olímpico bane atletas transgênero de competições femininas

O COI determinou a realização de testes genéticos, obrigatórios para definir elegibilidade nas modalidades femininas a partir dos Jogos de Los Angeles 2028.
Comitê Olímpico bane atletas transgênero de competições femininasGettyimages.ru / Cameron Spencer

O Comitê Olímpico Internacional (COIproibiu nesta quinta-feira (26) atletas transgênero* de competirem em categorias femininas dos Jogos Olímpicos e determinou a obrigatoriedade de testes genéticos para elegibilidade nas competições femininas, informa o New York Times.

A decisão foi tomada após reunião do conselho da entidade e meses de debates internos sobre o tema, e passará a valer a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

A medida marca uma das ações mais relevantes desde a eleição de Kirsty Coventry como primeira mulher presidente do COI.

De acordo com a nova política, a elegibilidade será definida por um teste genético único, realizado por meio de saliva, coleta de amostra da mucosa bucal ou amostra de sangue. O método já é utilizado em modalidades como o atletismo.

Segundo análises apresentadas por especialistas consultados pelo COI, atletas com marcadores sexuais masculinos mantêm vantagens físicas mesmo após tratamentos para redução de testosterona.

Até então, a entidade permitia a participação de mulheres trans com níveis hormonais reduzidos, delegando decisões finais às federações esportivas.

A medida também exclui da categoria feminina atletas com diferenças no desenvolvimento sexual que não possuem o padrão cromossômico XX, grupo que pode apresentar níveis elevados de testosterona e vantagens físicas.

A corredora sul-africana Caster Semenya criticou a política: "Eu carreguei esse peso. Assim como outras mulheres negras que mereciam algo melhor do esporte", disse ao New York Times.

"Reintroduzir o rastreamento genético não é progresso — é andar para trás", afirmou, acrescentando: "Isso é apenas exclusão com um novo nome."

O debate ganhou força nos últimos anos em meio a decisões políticas e esportivas, incluindo a ordem executiva assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que proibiu atletas transgênero de competirem em esportes universitários femininos, ampliando a controvérsia sobre critérios de elegibilidade em competições femininas.

*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.