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Contradição, discussão e risadas: Confira os últimos desdobramentos da argentina acusada de racismo no Rio

Agostina Páez afirmou que não é racista e pediu desculpas às vítimas pela reação aos gestos obscenos; Ministério Público propõe multa de R$ 190.452 como reparação moral.
Contradição, discussão e risadas: Confira os últimos desdobramentos da argentina acusada de racismo no RioReprodução/Redes Sociais

O caso da influenciadora e advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, que foi presa no Rio de Janeiro em 17 de janeiro após fazer gestos racistas contra funcionários de um bar, teve novos desdobramentos.

Ré em processo de injúria racial, Páez foi julgada na terça-feira (24) na 37ª Vara Criminal do Rio.

O juiz responsável manteve as medidas cautelares e informou que ainda irá proferir a sentença.

O magistrado Guilherme Schilling Pollo Duarte aguarda agora as considerações finais da defesa e da acusação, que devem ser apresentadas por escrito, conforme publicado pelo g1.

Volta para casa e ameaças

Antes da sessão, Agostina afirmou que é "constantemente ameaçada" e comentou a possibilidade de receber a pena máxima, que pode chegar a 15 anos de prisão, conforme publicado pelo O Globo.

"Eu me mato, isso não vai acontecer. Se me condenarem, eu me mato ou me matam lá dentro. Imagine ir para uma prisão em um país onde me odeiam e em uma prisão como são aqui no Rio", declarou.

A influenciadora também afirmou que teme por sua integridade física e alegou ter se tornado uma pessoa reconhecida no país após a repercussão do caso.

"Fizeram uma campanha com o meu rosto. Tenho muito medo pela minha integridade física", disse.

O Ministério Público (MP), propôs que Agostina pague 120 salários mínimos, ou R$ 190.452 às vitimas como "reparação financeira pelo dano moral".

Logo após o julgamento na terça-feira, em entrevista a jornalistas argentinos, Agostina afirmou, em meio a risadas,  que voltará para a Argentina nos próximos dias, e que o juiz acatou o pedido apresentado à Justiça.

Foi solicitado à Justiça a devolução do passaporte e a retirada da tornozeleira eletrônica, considerando que a ré não possui antecedentes e demonstrou arrependimento, de acordo com informações do O Globo.

O MP ainda sugeriu que Páez possa cumprir a pena em seu país, e que a pena mínima seja convertida em prestação de serviços comunitários.

Contradição e discussão

Durante entrevista ao jornalista argentino Eduardo Feinmann, do canal A24, a influenciadora discutiu com o apresentador e afirmou que não é racista, alegando que apenas reagiu a um gesto obsceno.

"Não sou racista, Feinmann. Eu respondi mal e pedi desculpas. Reagi a gestos obscenos e me surpreendi que você me ataca dessa maneira", disse a influencer.

Ela reiterou que pediu desculpas aos funcionários "que se sentiram ofendidos" pelos gestos.

"Se você não tivesse cometido um ato racista não teria chegado ao ponto em que está agora", questionou Feinmann.

Agostina afirmou que o jornalista é quem seria "racista". Segundo ela, Feinmann já teria declarado, em outras ocasiões, que não queria moradores de "favela" na Argentina e que teria feito ofensas à comunidade LGBT.

"Eu nunca disse isso", rebateu o jornalista.

Ex-presidente intercedou 

O ex-presidente argentino Alberto Fernández revelou na quarta-feira (25), durante o programa Cíclico, que intercedeu junto a autoridades brasileiras para que Agostina Páez fosse liberada e pudesse retornar ao seu país.

"Ajudei como entendi que devíamos ajudar. (...) Conversei com quem achei que deveria conversar. Evidentemente ela cometeu um erro, disse algo que não deveria dizer, mas não merece uma condenação dessa magnitude", disse o ex-presidente.

O chefe de Gabinete de Ministros da Argentina, Manuel Adorni, afirmou em coletiva de imprensa que o governo de Javier Milei acompanha o caso e que, com base em acordos de cooperação judicial entre os dois países, ela poderá, segundo ele, retornar à Argentina.