Um estudo publicado terça-feira (24) pela revista Nature Medicine aponta que o vírus Oropouche já se espalhou por todos os estados brasileiros e pode ter infectado cerca de 5,5 milhões de pessoas no país.
Segundo a pesquisa, em Manaus, epicentro recente da transmissão, o total de infecções pode ser até 200 vezes maior que os casos oficialmente confirmados.
O levantamento também aponta que, entre 1960 e 2025, o vírus Oropouche pode ter infectado mais de 9,4 milhões de pessoas em toda a América Latina e no Caribe, um número muito superior ao total de casos registrados oficialmente.
A diferença entre infecções estimadas e casos notificados é atribuída principalmente à baixa detecção da doença.
Em regiões remotas da Amazônia, o acesso limitado aos serviços de saúde, com deslocamentos que podem ultrapassar 24 horas, dificulta o diagnóstico. Além disso, uma parcela significativa das infecções é assintomática ou apresenta sintomas leves.
Fatores que favorecem a disseminação
- Alterações no uso do solo e maior deslocamento de pessoas, influenciados pelo desmatamento;
- Presença ampla do mosquito transmissor em diferentes regiões das Américas;
- População fora da Amazônia com pouca ou nenhuma imunidade prévia, tornando-se mais vulnerável à infecção.
Além disso, em Manaus, os pesquisadores notaram que os casos aumentam durante a estação chuvosa (dezembro a maio), período em que as condições favorecem a reprodução do mosquito e intensificam a circulação do vírus.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Kentucky (EUA) e Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).
Febre do Oropouche
- O Oropouche é um vírus geralmente transmitido por mosquitos causando a febre do Oropouche, com sintomas parecidos com os da dengue. A doença é em geral benigna e autolimitada, mas em alguns casos pode atingir o sistema nervoso central e provocando meningite e encefalite.
- O vírus foi identificado e descrito pela primeira vez em Trinidad e Tobago em 1955.