Os recentes ataques das forças do Irã levam a questionar a eficácia proclamada da defesa antiaérea de Israel, constantemente violada, multiplicando dúvidas sobre uma possível escassez de interceptores, informou na quarta-feira (25) o jornal The Washington Post.
Os ataques às cidades israelenses de Arad e Dimona, esta última que abriga uma importante instalação nuclear, feriram mais de 115 pessoas e expuseram vulnerabilidades no aclamado Domo de Ferro, destacando a dificuldade de manter interceptores caros para proteger alvos vitais durante longos períodos de tempo.
Escudo quebrado de Israel
Cada nível do sistema de defesa antiaérea multicamadas de Israel, considerado um dos mais avançados do mundo e projetado para repelir ameaças de múltiplas frentes, cumpre uma função específica. Assim, o sistema Domo de Ferro intercepta foguetes de curto alcance; o sistema Estilingue de Davi, mísseis balísticos e de cruzeiro; e os sistemas Arrow 2 e Arrow 3, mísseis balísticos de longo alcance. Eles são complementados, ainda, pelo sistema americano THAAD (Sistema de Defesa Terminal de Área de Alta Altitude, na tradução do acrônimo em inglês).
A escolha do interceptor adequado ocorre em frações de segundo, envolvendo cálculos estratégicos sobre qual sistema empregar contra ameaças específicas, equilibrando custos que variam entre US$ 50 mil (cerca de R$ 261 mil) e US$ 15 milhões (cerca de R$ 78 milhões) por unidade, enquanto se preserva disponibilidade para operações prolongadas.
Autoridades israelenses afirmam que os sistemas de defesa estão funcionando conforme o esperado, embora militares reconheçam que não existe um sistema de eficácia absoluta.
Milhares de mísseis iranianos
A preocupação de que o Irã estivesse acumulando um arsenal de mísseis capaz de superar as defesas de Israel foi um fator-chave para a retomada dos ataques contra o território iraniano, afirmaram funcionários de segurança israelenses.
O ritmo de acumulação gerou alarme em estrategistas israelenses diante da impossibilidade dos sistemas de defesa de absorver entre 3 mil e 5 mil projéteis, afirmou à imprensa um ex-funcionário de segurança, anonimamente.
O tenente-coronel Nadav Shoshani, porta-voz das Forças de Defesa de Israel, afirmou ao meio de comunicação que os ataques contra Dimona e Arad, no sul do país, foram feitos com mísseis balísticos convencionais "dos tipos que conhecemos, já vimos e interceptamos".
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou, por sua vez, que a incapacidade de interceptar os mísseis em Dimona (um dos locais mais protegidos de Israel) representa um ponto de inflexão. "Os céus de Israel estão indefesos", declarou o político em suas redes sociais no sábado (21).
Guerra no Oriente Médio
Na madrugada de sábado (28), Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
- Outra linha de frente do conflito foi aberta com o rompimento total do cessar-fogo entre Israel e Hezbollah em 2 de março. As forças israelenses realizam ondas de ataques contra o território libanês, emitindo ordens de evacuação aos cidadãos do Líbano e anunciando operações terrestres no país.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.