Lula defende parceria com a China para trazer tecnologia e transformar Brasil em 'país desenvolvido'

Presidente afirmou que Brasil precisa dominar tecnologias estratégicas e criticou mentalidade de país "colonizado".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (25) a ampliação de parcerias internacionais voltadas à transferência de tecnologia para o Brasil, durante evento em Araraquara (SP) que marcou o anúncio da instalação de uma fábrica de trens da empresa chinesa CRRC. Segundo ele, o país precisa avançar na capacidade de dominar tecnologias estratégicas para alcançar o status de nação desenvolvida.

"É muito importante para o Brasil fazer parceria com países que queiram trazer para o Brasil tecnologias que o Brasil ainda não domina", afirmou. Lula destacou que esse processo envolve qualificação da mão de obra e intercâmbio internacional, com brasileiros sendo treinados na China e técnicos estrangeiros atuando no país.

O presidente avaliou que o Brasil tem condições de dar um salto econômico. "O Brasil pode chegar a ser a sexta, a quinta economia do mundo", disse, citando como vantagens comparativas o território, a população e a abundância de recursos naturais, como minerais críticos, terras raras e água doce.

Ao abordar o histórico do país, Lula criticou a mentalidade herdada do período colonial. "Durante muito tempo a gente foi um país colonizado", afirmou, acrescentando que isso levou o Brasil a depender de soluções externas. "Só basta a gente ter coragem de acreditar no Brasil e fazer as coisas acontecerem", disse.

O presidente também mencionou o cenário internacional, afirmando que o mundo vive o período com "mais conflitos armados" desde a Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, reiterou que seu país busca manter relações equilibradas com diferentes países. "O Brasil não quer guerra, (...) o Brasil quer paz", declarou.

Durante o evento, foram assinados contratos de financiamento do BNDES que somam R$ 5,6 bilhões para projetos de mobilidade em São Paulo, incluindo o Trem Intercidades Eixo Norte e a expansão da Linha 2 do metrô da capital. Os trens serão produzidos pela CRRC em Araraquara, com previsão de início da produção no segundo semestre e entregas a partir de 2027.