Em 28 de fevereiro de 2026, um sábado pela manhã, Israel e os Estados Unidos lançaram uma operação militar conjunta, batizada de "Operação Rugido do Leão" por Israel e "Operação Fúria Épica" pelos EUA, iniciando ataques massivos com mísseis contra o Irã.
Entre os objetivos declarados estavam atingir lideranças iranianas e enfraquecer o programa militar do país.
O ataque resultou na morte de figuras do alto escalão iraniano, incluindo no assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança da república islâmica.
Diesel aumenta no Brasil
Apesar do Brasil estar a mais de 11 mil quilômetros de distância do Irã, o país já sente os impactos do conflito no Oriente Médio.
O fechamento do Estreito de Ormuz elevou o preço do petróleo, que chegou a US$ 115 em 19 de março, impactando os preço nos postos de combustíveis e energia de todo o país.
O diesel registrou uma alta de 18,86% desde o fim de fevereiro, chegando a R$ 6,80. O aumento preocupa caminhoneiros e entidades do setor, que estudam a possibilidade de uma paralisação nacional.
Impactos nos fretes e na economia
Especialistas, em entrevista ao jornal DW publicada em 3 de março, destacam que a predominância do transporte rodoviário na logística brasileira torna os fretes particularmente sensíveis às variações do diesel. Isso aumenta o custo das mercadorias e pode pressionar a taxa de juros.
Karina Calandrin, professora de relações internacionais do Ibmec-SP, afirma que o cenário atual pode dificultar a queda da Selic, e até levar a uma manutenção ou aumento da taxa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no dia 19 de março, uma Medida Provisória (MP) que reforça o piso mínimo do frete e amplia a fiscalização do setor.
A MP exige o registro de todas as operações pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), permitindo à ANTT acompanhar os valores pagos e impedir transações abaixo do piso.
A medida também prevê multas de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem a regra.
Fertilizantes impactados
O conflito também tem afetado o agronegócio brasileiro, com alta nos preços dos fertilizantes e desaceleração das compras pelos produtores.
Conforme reportagem publicada pelo o Globo Rural, empresas do setor apontam que a aquisição de insumos para a safra atual está atrasada em relação ao ano passado.
Segundo a Mosaic, uma das principais produtoras mundiais de nutrientes concentrados de fosfato e potássio para a agricultura, a comercialização de fertilizantes está abaixo do registrado em 2025, refletindo na cautela dos produtores.
"Isso faz com que o agricultor, num primeiro momento, pense em reduzir tecnologia", disse o executivo Eduardo Monteiro que comanda a Mosaic no Brasil.
Na Yara Brasil, fornecedora de fertilizantes, as compras para a safra de trigo de 2026 estão em cerca de 40%, abaixo da faixa normal de 50% a 60%. Para a soja, o percentual chega a 35%, dez pontos percentuais abaixo da média histórica para o período.
Dados da consultoria StoneX mostram que, desde o início da guerra, a ureia subiu cerca de 50%, o fosfato monoamônico (MAP) 14% e o cloreto de potássio (KCI) 3%.
Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Brasil, projeta que a demanda por fertilizantes no país deve cair ao longo deste ano.
Impacto nas eleições
O impacto da guerra no Irã começa a se refletir também nas eleições brasileiras, com efeitos diretos sobre a percepção do governo e do eleitorado.
O aumento do preço do diesel, a pressão sobre os fretes e a alta nos fertilizantes influenciam a economia doméstica, temas sensíveis para o eleitor médio, sobretudo em regiões agrícolas e centros urbanos com transporte rodoviário intenso.
Uma pesquisa da Genial/Quaest, divulgada em 14 de março, mostra que 77% dos brasileiros defendem que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantenha uma posição de neutralidade no conflito.
Outros 14% acreditam que o Brasil deveria apoiar os EUA e Israel, enquanto apenas 2% optam pelo lado do Irã. Entre os entrevistados, 7% não souberam ou não responderam.
Para o jornalista Luiz Carlos Azevedo, do Correio Braziliense, a situação configura uma "externalidade negativa" para o governo brasileiro, devido às relações com o Irã, o contencioso com Israel e as tensões com os Estados Unidos.
Ele explica que o Itamaraty não tem como influenciar o curso da guerra, e que o impacto econômico no país dependerá diretamente da duração do conflito, já que o preço do petróleo historicamente reage a crises no Oriente Médio e hoje representa um fator crítico para a economia global.
Lula se posiciona
Lula se pronunciou logo após os ataques de EUA e Israel, e afirmou que foi pego de "surpresa" com a decisão de Donald Trump em atacar o país persa e condenou a decisão.
"Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã. Eu mesmo não concordo, tá? Mas a gente precisa aprender a respeitar a autodeterminação dos povos. Nós temos que aprender a respeitar a integridade territorial dos países", disse Lula.
Lula citou ainda que o mundo "precisa de paz e não de guerra" e criticou Trump.
"A gente não pode ter alguém achando que é dono do mundo e levanta de manhã: 'Eu vou tomar a Groenlândia, eu vou tomar o canal do Panamá, eu vou tomar Cuba, eu vou tomar Venezuela'. Não é possível. Não é possível", complementou.