Conheça os extravagantes negócios de Milei que fracassaram devido a escândalo do cryptogate

As propostas para licenciamento de produtos incluíam itens como óculos de sol, carteiras, canetas, pastas, motosserras e até uma bebida energética chamada "Carajo Energy Drink".

Enquanto segue a investigação sobre a criptomoeda $Libra, envolvendo o presidente argentino Javier Milei, a imprensa argentina revelou outras propostas comerciais apresentadas ao presidente, que acabaram não se concretizando devido à controvérsia em torno da criptomoeda e o desgaste de sua imagem, informou o La Nación na tarça-feira (24). 

O lobista Mauricio Novelli apresentou a Milei dois projetos comerciais em 2024, ligados à empresa ICV Advisors, com sede na Argentina e dirigida pelo chileno Iván Canales Vandewijngaerden.

As ofertas foram recuperadas do celular de Novelli via pericia. Um dos projetos, segundo relatos, envolvia a cunhagem de moedas de ouro e prata com o rosto do presidente e o logotipo do leão, com a inscrição "¡Viva la Libertad, Carajo!" no verso e "República Argentina" na frente.

A intenção era vendê-las tanto no mercado interno quanto internacional, em cidades como Nova York, Miami e na Europa.

A mesma fonte também indicou que uma parte de cada venda seria doada a um "Partido, Fundação ou ONG a ser definida", enquanto a moeda foi descrita como um "título de cooperação ou participação" para o projeto político de Milei. Um acordo de confidencialidade e um memorando de entendimento deveriam ser assinados para formalizar o uso da imagem do presidente.

O segundo projeto visava lançar diversos produtos, como camisetas, bonés, mochilas, ponchos e flâmulas com o nome do presidente e o slogan "Viva la Libertad, Carajo!", bem como bebidas energéticas chamadas Carajo Energy Drink.

O documento contendo essas informações, extraído do celular de Novelli, estava nomeado como "Confidencial - Mauricio N - NW".

Encontro Decisivo

Segundo a investigação do jornal La Nación, após os encontros iniciais, em 10 de novembro de 2024, na Residência Presidencial de Olivos, Novelli propôs a Milei a possibilidade de monetizar sua imagem, o que poderia gerar milhões em lucros. Além disso, argumentou que, por se tratarem de bens altamente pessoais, não violariam a Lei de Ética Pública nem outras normas.

Com base em registros obtidos de seu celular, o lobista pretendia acelerar a comercialização, que poderia inclusive ser expandida para incluir novos produtos como óculos de sol, motosserras, carteiras, canetas e pastas com a letra M ou o sobrenome de Milei. No entanto, mostrou-se menos entusiasmado com a ideia de usar dinheiro, por considerá-la "muito arriscada, pelo menos inicialmente".

Canales Vandewijngaerden, no entanto, não concordou totalmente com essas propostas: "Essa linha de 'merchandising', francamente, me pareceu ridícula. Ridícula, não; digamos apenas que não me pareceu a mais apropriada para uma imagem presidencial", explicou.

Projetos Educacionais

Ao ser questionado sobre esses projetos, o empresário chileno, que também se reuniu com Milei, afirmou que as propostas tinham "fins educacionais".

"A ideia era lançar uma criptomoeda educacional que arrecadasse fundos para fins educacionais, voltada para crianças entre 8 e 16 anos, mas que também servisse como reserva de valor para quem as adquirisse", afirmou.

Quando perguntado por que Novelli foi escolhido como intermediário, ele o descreveu como "um trader de muito sucesso", acrescentando que seu perfil era "muito interessante para reforçar a ideia de uma 'criptomoeda educacional'".

Ele também esclareceu que não pediu "nada em troca" pela conexão com Milei. "Não houve nenhuma sugestão de nada incomum", insistiu. Ele ainda enfatizou: "Milei me pediu para falar sobre nossas ideias, que ele achou interessantes".