Ex-agente do Mossad aponta erro estratégico de EUA e Israel na guerra contra o Irã

Em entrevista exclusiva à RT, especialista descarta qualquer possibilidade de vencer a guerra apenas com ataques aéreos à República Islâmica.

Os Estados Unidos e Israel adotaram uma estratégia equivocada ao tentar desestabilizar o Irã eliminando seus líderes, afirmou à RT na quarta-feira (24) o ex-alto funcionário do serviço secreto israelense Mossad, Rami Igra.

Igra, que comandou a Divisão de Cativos e Desaparecidos da agência, disse em entrevista exclusiva que "quem acreditava que esse ataque, de alguma forma, levaria o povo iraniano às ruas e provocaria uma mudança de governo se enganou profundamente".

"Isso tudo é fruto de um erro de cálculo sobre o inimigo, ou de uma incompreensão sobre quem está do outro lado", destacou o especialista.

Segundo Igra, "quem pensava que bombardear o Irã e eliminar toda a cúpula dirigente provocaria uma revolução não entende o que é uma revolução".

Ele explicou que uma revolução exige um movimento popular de oposição ao governo, algo que não existe no Irã.

"É preciso liderança local, não um [Reza] Pahlavi de Los Angeles", afirmou, referindo-se ao filho exilado do último xá iraniano, que se apresenta como alternativa ao atual governo do país.

O especialista também descartou a possibilidade de vencer a guerra apenas com ataques aéreos. "Guerras não se ganham com bombardeios. Elas se ganham com tropas no terreno", reforçou, citando como exemplo a entrada das forças soviéticas em Berlim ao final da Segunda Guerra Mundial.

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