Os Estados Unidos e Israel adotaram uma estratégia equivocada ao tentar desestabilizar o Irã eliminando seus líderes, afirmou à RT na quarta-feira (24) o ex-alto funcionário do serviço secreto israelense Mossad, Rami Igra.
Igra, que comandou a Divisão de Cativos e Desaparecidos da agência, disse em entrevista exclusiva que "quem acreditava que esse ataque, de alguma forma, levaria o povo iraniano às ruas e provocaria uma mudança de governo se enganou profundamente".
"Isso tudo é fruto de um erro de cálculo sobre o inimigo, ou de uma incompreensão sobre quem está do outro lado", destacou o especialista.
Segundo Igra, "quem pensava que bombardear o Irã e eliminar toda a cúpula dirigente provocaria uma revolução não entende o que é uma revolução".
Ele explicou que uma revolução exige um movimento popular de oposição ao governo, algo que não existe no Irã.
"É preciso liderança local, não um [Reza] Pahlavi de Los Angeles", afirmou, referindo-se ao filho exilado do último xá iraniano, que se apresenta como alternativa ao atual governo do país.
O especialista também descartou a possibilidade de vencer a guerra apenas com ataques aéreos. "Guerras não se ganham com bombardeios. Elas se ganham com tropas no terreno", reforçou, citando como exemplo a entrada das forças soviéticas em Berlim ao final da Segunda Guerra Mundial.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro, atingindo diversas áreas da capital, Teerã. Os bombardeios foram posteriormente atribuídos à operação americana "Fúria Épica", coordenada com a operação israelense "Rugido do Leão".
- Durante a operação conjunta americano-israelense, foi morto o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, assim como altos oficiais do governo iraniano. Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio, no contexto da operação denominada "Promessa Verdadeira 4".
- Outra linha de frente do conflito foi aberta com o rompimento do cessar-fogo com Israel e o fim da contenção operacional do Hezbollah em 2 de março. As forças israelenses realizaram ondas de ataques contra o território libanês, emitindo ordens de evacuação aos cidadãos do Líbano e anunciando operações terrestres no país.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
- Até o momento, o número de mortos no Irã ultrapassou 1.500 pessoas, seguido de um número superior a mil mortes no Líbano. Os Estados Unidos, por sua vez, contabilizam oficialmente 13 militares americanos mortos, enquanto o Ministério da Saúde de Israel registra a morte de ao menos 18 cidadãos israelenses.