Manuscrito do século XIII, que foi de D. Pedro II, é um dos textos judaicos mais antigos do mundo

Adquirido pelo imperador brasileiro no século XIX, o documento de origem iemenita é um dos registros judaicos mais antigos registrados e permanece sob guarda da UFRJ após escapar do incêndio do Museu Nacional em 2018.

A Torá de Dom Pedro II, também chamada Pergaminhos IVRIIM, é um manuscrito datado entre os anos 1200 e 1300, o que o coloca entre os textos judaicos mais antigos do mundo. O documento de origem iemenita foi adquirido pelo imperador em viagem à Europa e Ásia entre 1876 e 1877.

O conjunto era composto por onze rolos em hebraico, reduzidos a nove após a ter separado os fragmentos do Gênesis por arqueólogos. Atualmente, a peça mede 59 centímetros de altura por 32,34 metros de comprimento total.

O Conselho Deliberativo do Iphan tombou o item em novembro de 1998, sob o número de inscrição 553, segundo matéria publicada na época pela Folha de S. Paulo.

Na reportagem, a arqueóloga Rhoneds Aldora Rodrigues Perez, do Departamento de Antropologia do Museu Nacional, disse que o pedido foi feito para dar destaque ao manuscrito. Rhoneds explica que a origem no Iêmen vem do tipo de letras e regras de escrita no texto.

O incêndio no Museu Nacional

A peça faz parte do acervo do Museu Nacional. Em 2018, durante o incêndio que destruiu o prédio histórico, ela estava passando por um processo de restauração na Seção de Obras Raras da Biblioteca do Horto, um prédio anexo que não foi atingido pelas chamas.

Um fac-símile da obra integra a exposição do Museu Judaico de São Paulo para consulta pública. O original permanece preservado para fins científicos e históricos pela UFRJ em seu departamento de linguística.