O Ministério das Relações Exteriores do Chile anunciou, nesta terça-feira (24), a retirada do apoio à candidatura da ex-presidente Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. A postulação foi articulada originalmente de forma conjunta com os governos de Brasil e México.
Em contrapartida, Bachelet manteve sua candidatura mesmo sem o apoio do governo recém eleito de José Antônio Kast. "Continuarei trabalhando em conjunto com os governos do Brasil e do México, que me indicaram, reafirmando o caráter coletivo deste projeto", disse em declaração noticiada pela imprensa local.
Santiago justificou sua decisão citando o atual contexto eleitoral e a dispersão de candidaturas na América Latina. A chancelaria considerou a proposta inviável diante de divergências políticas com atores do processo.
Com a retirada do patrocínio, as embaixadas chilenas no exterior encerrarão imediatamente os esforços diplomáticos de promoção do nome de Bachelet. O governo deixará de participar de qualquer articulação internacional em favor desta candidatura.
Caso a ex-presidente decida manter a disputa de forma independente, o Chile deve se manter neutro. O governo confirmou que se absterá de apoiar qualquer outro candidato que concorra ao posto máximo da organização.
Oposição se manifesta
Segundo o portal Emol, o Partido Socialista (PS) do Chile classificou a medida como uma "afronta" e um erro grave que prejudica o prestígio internacional do país. A legenda exigiu que o governo retifique a decisão para preservar o interesse superior do Estado.
A sigla alertou que a falta de apoio tensiona a relação com o Executivo e enfraquece a confiança e o diálogo político. O PS reiterou seu respaldo à candidatura, lembrando que o projeto ainda conta com o suporte de Brasil e México.