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Se Trump quiser levar segurança pública a sério, expertise brasileira está à disposição, diz Lula

O presidente brasileiro criticou a abordagem de seu homólogo dos EUA na região, afirmando que ataques a embarcações ocorreram sem comprovação de vínculo com o narcotráfico.
Se Trump quiser levar segurança pública a sério, expertise brasileira está à disposição, diz LulaAndrew Harnik / Ton Molina / NurPhoto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil está disposto a compartilhar integralmente sua experiência no combate ao crime organizado com os Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump queira "levar muito a sério" a questão da segurança pública. A declaração foi feita terça-feira (24), em Brasília, durante evento de sanção da lei que institui o marco legal do combate ao crime organizado no país.

Lula criticou ações recentes operações militares dos EUA em águas da América do Sul, região que classificou como "zona de paz", e mencionou episódios em que embarcações foram atacadas sob suspeita de narcotráfico sem comprovação. "Dezenas de pessoas" foram mortas sem que houvesse confirmação de que se tratavam de criminosos, criticou.

O presidente destacou que o Brasil acumulou experiência relevante no enfrentamento ao tráfico de drogas, armas e ao crime organizado, e afirmou que esse conhecimento pode ser compartilhado internacionalmente. Ele citou a criação de uma base da Polícia Federal em Manaus, no estado do Amazonas, destinada à cooperação com países sul-americanos no monitoramento de fronteiras, que somam cerca de 16.800 quilômetros.

Na sequência, o mandatário ressaltou operações recentes conduzidas pelas autoridades brasileiras, como ações de combate ao contrabando de combustíveis e à sonegação fiscal. Segundo ele, o país está disposto a cooperar com qualquer nação interessada em combater o crime organizado de forma estruturada.

Ao defender uma abordagem mais ampla, o presidente afirmou que o foco deve estar nos líderes das organizações criminosas, que, segundo ele, vivem em condições de luxo. "Não são os magrinhos na periferia, são esses os que precisam ser presos e punidos", disse, ao criticar ações que, em sua avaliação, atingem apenas os níveis mais baixos do crime.