A Embaixada da China no Japão denunciou, nesta terça-feira (24), uma tentativa de invasão por parte de um homem que alegava ser "um oficial das Forças de Autodefesa do Japão (FAJ)". Segundo a agência Xinhua, ele teria forçado a entrada na embaixada ao subir o muro para ameaçar funcionários da diplomacia chinesa de morte.
O suspeito foi identificado pela mídia local como o segundo tenente da FAJ Kodai Murata, de 23 anos. O criminoso seria da cidade de Ebino, na província de Miyazaki, no sudoeste do país.
Segundo o portal Nippon, Murata confessou as alegações contra ele no interrogatório policial. "Queria transmitir minha opinião ao embaixador (chinês no Japão). Planejei me matar e surpreender (o embaixador) caso minha opinião não fosse aceita", afirmou.
Ainda de acordo com a agência Xinhua, a embaixada formalizou protestos junto ao Ministério das Relações Exteriores do Japão, exigindo uma investigação completa, a punição dos envolvidos e esclarecimentos sobre suas intenções.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, manifestou-se sobre o ocorrido. Ele afirmou que o incidente "constitui uma grave violação da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas e representa uma séria ameaça à segurança do pessoal e das instalações diplomáticas chinesas".
"Extrema-direita e neomilitarismo" japonês
Jian destacou que o episódio evidencia o perigo da "crescente influência da extrema-direita e do 'neomilitarismo'" no Japão. Ele criticou o que chamou de "políticas equivocadas" de Tóquio em temas como Taiwan e a história sino-japonesa, além de apontar falhas na disciplina das Forças de Autodefesa.
Jian concluiu alertando que a comunidade internacional precisa permanecer em alerta máximo diante da "guinada à direita" do Japão e da suposta perda de controle sobre as Forças de Autodefesa, que estão em rápida expansão.