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Primeiro país declara emergência nacional energética diante da guerra no Oriente Médio

Existe "uma possibilidade real" de que os aviões possam ser impedidos de voar, confirmou o presidente.
Primeiro país declara emergência nacional energética diante da guerra no Oriente MédioGettyimages.ru / Daniel Ceng / Anadolu

O presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., declarou nesta terça-feira (24) estado de emergência energética nacional diante das consequências do conflito no Oriente Médio, classificando-o como um "perigo iminente" para o abastecimento de energia do país.

O governo ativou o Pacote Unificado para Meios de Subsistência, Indústria, Alimentação e Transporte (UPLIFT), uma resposta abrangente e coordenada de todo o governo, liderada pelo presidente e pelos principais membros do gabinete.

As autoridades apontam o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz como ameaças ao abastecimento de combustível das Filipinas e à estabilidade de seu sistema energético.

"Vários países já informaram às nossas companhias aéreas que elas não podem abastecer suas aeronaves, então elas precisam levar combustível na ida e na volta", declarou Marcos em uma entrevista à Bloomberg, acrescentando que "os voos de longa distância vão representar um problema muito mais grave".

Questionado se, inevitavelmente, os aviões poderiam ter que se manter em terra, o presidente respondeu: "Esperamos que não, mas é uma possibilidade real".

Um dos principais fornecedores de petróleo às Filipinas é a Malásia, enquanto o Japão e a Coreia do Sul suprem o país com combustíveis refinados. Diante das atuais cirunstâncias, contudo, o presidente Marcos afirmou que seu país está interessado no fornecimento de recursos energéticos provenientes de diferentes fornecedores, incluindo a Rússia.

"A Rússia não é um fornecedor tradicional de petróleo bruto para as Filipinas nem de qualquer outro tipo de energia, mas também estamos avaliando essa possibilidade", revelou.

Guerra no Oriente Médio

  • Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro, atingindo diversas áreas da capital, Teerã. Os bombardeios foram posteriormente atribuídos à operação americana "Fúria Épica", coordenada com a operação israelense "Rugido do Leão".
  • Durante a operação conjunta americano-israelense, foi morto o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, assim como altos oficiais do governo iraniano. Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio, no contexto da operação denominada "Promessa Verdadeira 4".
  • Outra linha de frente do conflito foi aberta com o rompimento do cessar-fogo com Israel e o fim da contenção operacional do Hezbollah em 2 de março. As forças israelenses realizaram ondas de ataques contra o território libanês, emitindo ordens de evacuação aos cidadãos do Líbano e anunciando operações terrestresno país.
  • O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
  • Até o momento, o número de mortos no Irã ultrapassou 1.500 pessoas, seguido de um número superior a mil mortes no Líbano. Os Estados Unidos, por sua vez, contabilizam oficialmente 13 militares americanos mortos, enquanto o Ministério da Saúde de Israel registra a morte de ao menos 18 cidadãos israelenses.
  • Em retaliação, o Irã obstruiu o estreito de Ormuz, que transporta cerca de um quinto do petróleo vendido no mundo, proibindo a passagem de navios inimigos, o que fez disparar os preços.