O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta terça-feira (24) que a Rússia não tem informações precisas sobre as supostas conversas entre o Irã e os EUA.
"Constatamos toda uma série de declarações contraditórias por parte de todos os lados. Umas contradizem as outras, e não sabemos como estão realmente as coisas nesse assunto", afirmou Peskov.
Quanto à disposição do Irã para negociações pacíficas, o porta-voz destacou que "o Irã confirmou isso na prática".
"De fato, até o último minuto antes do início das hostilidades, até o momento do primeiro ataque contra o Irã, Teerã permaneceu aberta a continuar as negociações e, de fato, as negociações avançavam com bastante sucesso", declarou Peskov. "É o que nós sabemos e o que absolutamente todo mundo sabe", acrescentou.
Alegações de conversas
Trump alegou na segunda-feira (23) que Washington e Teerã tiveram conversas "muito positivas e produtivas" nos últimos dois dias, visando a uma "resolução completa e total" das hostilidades no Oriente Médio. Segundo Trump, as partes conseguiram chegar a "pontos importantes de acordo".
"Eu diria que quase todos os pontos", acrescentou, indicando que as negociações correram "muito bem" e que, "se eles derem continuidade ao acordo, isso acabará com o conflito". O presidente havia expedido um ultimato contra o Irã no sábado (21), ameaçando bombardeios a infraestrutura energética do país se o Estreito de Ormuz seguisse fechado. No anúncio de tais negociações, Trump indicou que suspendeu por cinco dias as ordens de bombardeio.
Ele ainda alegou que os americanos estão em contato com o homem "mais respeitado" que atua como "líder" no Irã, esclarecendo que não se refere ao novo líder supremo, Mojtaba Khamenei. "Ninguém ouviu nada dele [...] não sabemos se ele ainda está vivo", disse.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, contudo, declarou que não há diálogo em andamento com os Estados Unidos, afirmando que as declarações do presidente americano fazem parte de "tentativas de reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar seus planos militares".
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro, atingindo diversas áreas da capital, Teerã. Os bombardeios foram posteriormente atribuídos à operação americana "Fúria Épica", coordenada com a operação israelense "Rugido do Leão".
- Durante a operação conjunta americano-israelense, foi morto o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, assim como altos oficiais do governo iraniano. Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio, no contexto da operação denominada "Promessa Verdadeira 4".
- Outra linha de frente do conflito foi aberta com o rompimento do cessar-fogo com Israel e o fim da contenção operacional do Hezbollah em 2 de março. As forças israelenses realizaram ondas de ataques contra o território libanês, emitindo ordens de evacuação aos cidadãos do Líbano e anunciando operações terrestresno país.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
- Até o momento, o número de mortos no Irã ultrapassou 1.500 pessoas, seguido de um número superior a mil mortes no Líbano. Os Estados Unidos, por sua vez, contabilizam oficialmente 13 militares americanos mortos, enquanto o Ministério da Saúde de Israel registra a morte de ao menos 18 cidadãos israelenses.