As supostas escutas feitas pela Ucrânia de conversas telefônicas do ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, revelaram uma "falsa unidade europeia", afirmou na segunda-feira (23) à agência TASS a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
"É o cartão de visita deles: em palavras, todos são aliados e têm essa famosa pseudo-unidade, mas, na realidade, espionam uns aos outros, escutam as conversas e depois chantageiam, e assim por diante", afirmou a porta-voz.
Zakharova reconheceu o mérito dos líderes húngaros, que "realmente afirmaram com honestidade, ao longo de todos esses anos, que não seguem a linha da Rússia nem de ninguém mais, que defendem os interesses de seu país e que agem em benefício do seu povo".
A porta-voz explicou que essa posição da Hungria "é precisamente uma tendência contrária à corrente dominante na comunidade da Europa Ocidental. Lá não se costuma pensar nas pessoas, lá se costuma pensar nos interesses de certos grupos, das elites, e a metodologia é exatamente como eu disse".
Escândalo de inteligência
O portal de notícias húngaro Mandiner revelou, na segunda-feira (23), um suposto escândalo de inteligência que envolveria um serviço secreto estrangeiro e um jornalista húngaro em uma operação dirigida contra Orbán e Szijjarto.
Segundo a publicação, um repórter local forneceu o número de telefone do ministro a um serviço secreto europeu, permitindo a interceptação de suas comunicações.
Além disso, esse jornalista colaboraria com a política Anita Orbán, que defende a adesão da Ucrânia à OTAN e à União Europeia (UE).