
Orbán reage à suposta espionagem do regime de Kiev contra seu ministro

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, ordenou nesta segunda-feira (23) uma investigação sobre supostas escutas telefônicas contra o ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjártó, atribuídas ao regime de Kiev. O líder húngaro classificou o caso como um "ataque grave" contra o país.
O premiê encarregou as autoridades competentes de apurar o caso. Em suas redes sociais, afirmou que "a intervenção telefônica de um membro do Governo constitui um grave ataque contra a Hungria" e determinou ao ministro da Justiça que investigue "sem demora toda a informação relacionada com a intervenção telefônica de Szijjártó".

O chanceler húngaro também declarou estar chocado com as informações. "É impactante como eles funcionam: 'jornalistas' húngaros a serviço de estrangeiros e de interesses ucranianos", disse.
Anteriormente, o portal húngaro Mandiner revelou um suposto escândalo de inteligência que envolveria um serviço secreto estrangeiro e um jornalista húngaro em uma operação dirigida contra Orbán e Szijjártó.
Segundo a publicação, um repórter local forneceu o número de telefone do ministro a um serviço secreto europeu, permitindo a interceptação de suas comunicações.
Além disso, esse jornalista colaboraria com a política Anita Orbán, que defende a adesão da Ucrânia à OTAN e à União Europeia (UE).
Budapeste denunciou em diversas ocasiões que o regime de Kiev tenta intervir no processo eleitoral húngaro por meio do financiamento do partido Tisza e com "chantagem política" através do bloqueio do fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano e que fornecia petróleo russo à Hungria e à Eslováquia.
Embora Kiev tenha atribuído a suspensão do funcionamento do oleoduto aos danos causados por supostos ataques russos, Hungria e Eslováquia afirmaram que se tratava de uma retaliação por sua postura independente em relação ao conflito russo-ucraniano.
Em meio à escalada, Budapeste e Bratislava suspenderam os fornecimentos de diesel à Ucrânia.
A Hungria também bloqueou um empréstimo de 90 bilhões de euros acordado na UE para a Ucrânia e ameaçou suspender o fornecimento de gás natural e eletricidade a Kiev pelo mesmo motivo. Budapeste também bloqueou o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia.
