Trump reafirma diálogo com Irã, desmentido por autoridades do país

O presidente dos EUA disse que a chancelaria iraniana "deveria encontrar melhores profissionais de relações públicas", depois que o órgão negou a existência das conversas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reafirmou nesta segunda-feira (23) a existência de um diálogo com o Irã, após o Ministério das Relações Exteriores iraniano negar alegações anteriores do presidente americano sobre tais tratativas.

O lado iraniano "deveria encontrar melhores profissionais de relações públicas", ironizou Trump, ao ser confrontado por um repórter que mencionou a declaração da chancelaria iraniana acusando-o de mentir sobre negociações. Segundo autoridades do país, as falas de Trump fazem parte de "tentativas de reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar seus planos militares".

Disse-me-disse

Mais cedo, Trump havia ordenado ao Departamento de Guerra a suspensão de todos os ataques contra a infraestrutura energética e as usinas de energia iranianas, afirmando que conversas "muito positivas e produtivas" haviam ocorrido nos últimos dias. Segundo o presidente, seu genro, Jared Kushner, e seu enviado especial, Steve Wikoff, mantiveram conversas "muito sólidas" com Teerã, conseguindo chegar a "pontos importantes do acordo".

"Eu diria que quase todos os pontos", acrescentou, indicando que as negociações correram "muito bem" e que, "se eles derem continuidade ao acordo, isso acabará com o conflito".

Ele ainda alegou que os americanos estão em contato com o homem "mais respeitado" que atua como "líder" no Irã, esclarecendo que não se refere ao novo líder supremo, Mojtaba Khamenei. "Ninguém ouviu nada dele [...] não sabemos se ele ainda está vivo", disse.

Segundo a chancelaria do Irã, reafirmando a contestação às alegações de Trump, existem iniciativas sendo promovidas por países da região para reduzir as tensões, mas ressaltou que o Irã não se considera responsável pelo início do conflito.

"Não começamos esta guerra, e todos os pedidos nesse sentido devem ser direcionados a Washington", diz o comunicado.