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Ganhando tempo: chancelaria do Irã explica objetivos de Trump ao adiar seu ultimato

As declarações do presidente dos EUA fazem parte de "tentativas de reduzir os preços da energia", afirmam autoridades do Irã.
Ganhando tempo: chancelaria do Irã explica objetivos de Trump ao adiar seu ultimatoGettyimages.ru / Anna Moneymaker

O Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou, em um comunicado divulgado pela mídia iraniana nesta segunda-feira (23), que não há nenhum diálogo em andamento entre Teerã e Washington.

Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia ordenado o adiamento de todos os ataques contra a infraestrutura energética e as usinas de energia iranianas, afirmando que conversas "muito positivas e produtivas" haviam ocorrido nos últimos dias.

Na mensagem, a chancelaria afirmou que as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazem parte de "tentativas de reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar seus planos militares".

O ministério indicou que existem iniciativas promovidas por países da região para reduzir as tensões, mas ressaltou que o Irã não se considera responsável pelo início do conflito. "Não fomos nós que iniciamos esta guerra e todos esses pedidos devem ser dirigidos a Washington", afirmaram as autoridades no comunicado.

As declarações da chancelaria do Irã foram feitas depois que um funcionário iraniano afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desistiu de atacar infraestruturas críticas iranianas quando ameaças militares de Teerã se tornaram "críveis".

A fonte destacou que "não houve negociações nem há", e alertou que, com o ultimato anunciado por Trump, o Estreito de Ormuz não voltará à situação anterior ao conflito e não haverá calma nos mercados de energia.

Guerra no Oriente Médio

  • Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro, atingindo diversas áreas da capital, Teerã. Os bombardeios foram posteriormente atribuídos à operação americana "Fúria Épica", coordenada com a operação israelense "Rugido do Leão".
  • Durante a operação conjunta americano-israelense, foi morto o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, assim como altos oficiais do governo iraniano. Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio, no contexto da operação denominada "Promessa Verdadeira 4".
  • Outra linha de frente do conflito foi aberta com o rompimento do cessar-fogo com Israel e o fim da contenção operacional do Hezbollah em 2 de março. As forças israelenses realizaram ondas de ataques contra o território libanês, emitindo ordens de evacuação aos cidadãos do Líbano e anunciando operações terrestres no país.
  • O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
  • Até o momento,  o número de mortos no Irã ultrapassou 1.500 pessoas, seguido de um número superior a mil mortes no Líbano. Os Estados Unidos, por sua vez, contabilizam oficialmente 13 militares americanos mortos, enquanto o Ministério da Saúde de Israel registra a morte de ao menos 18 cidadãos israelenses.
  • Em retaliação, o Irã obstruiu o estreito de Ormuz, que transporta cerca de um quinto do petróleo vendido no mundo, proibindo a passagem de navios inimigos, o que fez disparar os preços.