Netanyahu e Trump apostaram em plano fracassado do Mossad para mudança de regime no Irã — NYT

Fontes afirmam que oficiais americanos e outras agências israelenses duvidavam do plano desde o início.

O serviço de inteligência de Israel, Mossad, convenceu o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às vésperas do ataque contra o Irã em fevereiro, de que seria capaz de inflamar protestos no país que levariam ao colapso do governo, mas fracassou, informou o New York Times no domingo (22), citando fontes familiarizadas com o assunto.

Segundo Shahar Koifman, ex-chefe da seção sobre o Irã na Divisão de Pesquisa de Inteligência Militar das Forças de Defesa de Israel, as autoridades israelenses exploraram diversas ideias para tentar derrubar o governo iraniano, incluindo o apoio à uma invasão de milícias curdas, mas todas "estavam fadadas ao fracasso desde o início".

Para o ex-funcionário, citado pelo veículo, a queda do governo iraniano não era um "objetivo alcançável no conflito atual", apesar da insistência das autoridades israelenses.

Segundo o jornal, o plano do Mossad logo gerou dúvidas entre oficiais americanos e até mesmo entre outras agências de inteligência israelenses. Apesar do ceticismo, os líderes de ambos os países acreditaram no plano do Mossad, apostando que os ataques iniciais, que mataram a cúpula do regime, combinados com operações secretas, poderiam desencadear uma rebelião popular.

Três semanas após o início do conflito, em 28 de fevereiro, as avaliações de inteligência americanas e israelenses chegaram a uma conclusão de que o governo iraniano continua funcionando, assim como suas estruturas de segurança.

"Ao invés de entrar em colapso, o governo do Irã se fortaleceu e intensificou o conflito", destaca a mídia, citando ataques e contra-ataques contra bases militares, bem como fechamento do Estreito de Ormuz.

Guerra no Oriente Médio