
Irã revela em que circunstâncias poderia minar o Golfo Pérsico

O Conselho de Defesa do Irã advertiu nesta segunda-feira (23) que suas forças armadas instalariam minas navais no Golfo Pérsico em caso de ataque às suas costas ou ilhas.
"Qualquer tentativa do inimigo de atacar as costas ou ilhas iranianas levará [...] à minagem de todas as rotas de acesso e linhas de comunicação no Golfo Pérsico e ao longo da costa", declarou o comunicado.

Junto com o Estreito de Ormuz, todo o Golfo Pérsico ficará "virtualmente bloqueado", alertou a declaração. Enfatizando a credibilidade de eficácia da minagem, o comunicado remonta a "fracassos" históricos de desminagem, em uma possível alusão à Guerra dos Petroleiros, fase marítima do conflito Irã-Iraque (1980-1988).
Durante esse período, o Irã minou rotas do Golfo Pérsico para perturbar a economia iraquiana e seus aliados, levando a uma arriscada e prolongada campanha de desminagem. Essas operações danificaram navios-tanque e até a fragata americana USS Samuel B. Roberts em 1988, forçando operações internacionais complexas para limpar as águas.
Sob a advertência fundada em precedentes históricos, o Conselho concluiu afirmando que "a única maneira de países não beligerantes atravessarem o Estreito de Ormuz é por meio de coordenação com o Irã", ressaltando que as forças armadas iranianas "resistirão até a morte" para executar as ordens do Líder Supremo.
Guerra contra o Irã
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Diversas áreas de Teerã foram alvo de bombardeios. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações militares em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações de substituição de sistemas onerosos dos EUA.

