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Frutos da russofobia: enviado de Putin ironiza agenda europeia frente a crise energética

Kirill Dmitriev comentou a decisão da Eslovênia de limitar temporariamente a compra de combustível para lidar com a escassez nos postos de gasolina.
Frutos da russofobia: enviado de Putin ironiza agenda europeia frente a crise energéticaSputnik / Ilya Pitalev

O enviado especial da presidência russa, Kirill Dmitriev, ironizou no domingo (22) a postura dos países europeus frente à Rússia, diante da atual crise energética agravada pelo conflito no Oriente Médio.

"A Europa pode finalmente desfrutar do sucesso de suas agendas verde e russófoba: nada de petróleo e nada de gás", declarou em suas redes sociais.

Dmitriev comentou a decisão da Eslovênia de limitar temporariamente a compra de combustível para lidar com a escassez nos postos de gasolina. O abastecimento em postos de serviço individuais foi restrito a 50 litros por dia para veículos particulares e 200 litros para empresas e outros usuários prioritários, como agricultores.

Crise de energia

O continente sofre as consequências da atual pressão do Irã sobre o Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes do mundo, por onde transita aproximadamente um quinto do comércio mundial de petróleo. A obstrução de passagem de navios foi acionada como medida de retaliação a ataques dos EUA e de Israel contra o país.

« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchiafirmou que o estreito continua aberto e está bloqueado apenas para os navios de países inimigos; de todo feito, a medida provocou um aumento nos preços da energia e nos custos para as empresas de transporte cujos navios não podem ou não arriscam utilizar a passagem.

O conflito já provocou um aumento no preço do gás na Europa para o nível mais alto desde 2023, subindo 53% desde 28 de fevereiro, o primeiro dia dos ataques americano-israelenses. Atualmente, as reservas energéticas dos países da UE estão em menos de 30%. Cerca de 10% de gás natural liquefeito importado pelos países do bloco vem do Catar, que é dependente da passagem por Ormuz e que tem recebido ataques iranianos contra bases militares dos EUA instaladas em seu território. 

Tais circunstâncias se somam à condições anteriores de insegurança energética da Europa, fragilizada diante de sua postura frente ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia. As sanções ocidentais contra a compra de combustíveis russos, especialmente após 2022, deixou diversas nações europeias expostas à vulnerabilidade de sua dependência da Rússia, atravessando crises históricas.

Adicionalmente, o regime de Kiev, comandado por Vladimir Zelensky, adota uma postura de sabotagem terrorista contra provimentos de combustível provenientes da Rússia, atacando petroleiros nos mares Mediterrâneo, Báltico e Negro e instalações de energia centrais à Europa, especialmente a infraestrutura dos gasodutos TurkStream e BlueStream, além do bloqueio do oleoduto Druzhba.

A soma de fatores cria uma tempestade perfeita que ameaça a estabilidade econômica do continente, que passa a enfrentar não apenas uma crise de abastecimento, mas também as consequências de escolhas políticas que priorizaram alinhamentos geopolíticos em detrimento da segurança energética de seus cidadãos.