Única mulher, estudante do Ceará vai representar o Brasil em olimpíada internacional de Física

Jovem garantiu vaga após desempenho em seletivas nacionais e integrará delegação brasileira na Olimpíada Ibero-Americana de Física em 2026.

A presença feminina em competições científicas de alto nível ainda é reduzida, e um dos exemplos mais recentes vem do Ceará.

Aos 16 anos, Maria Beatriz Mesquita Ximenes, conhecida como Mabe, é a única mulher entre os estudantes brasileiros selecionados para disputar olimpíadas internacionais de Física em 2026, conforme informações divulgadas pelo portal g1.

A estudante conquistou uma das vagas destinadas ao país após avançar pelas principais etapas de seleção, que começam na Olimpíada Brasileira de Física e seguem até o Torneio Brasileiro de Física, responsável por definir os representantes em competições no exterior. Ao final do processo, apenas 19 alunos são escolhidos, com base no desempenho em provas teóricas e experimentais.

Natural de Sobral, Mabe se mudou para Fortaleza aos 14 anos em busca de melhores condições de estudo. Desde então, passou a integrar uma rotina voltada para preparação em olimpíadas científicas, com carga diária que pode chegar a 14 horas entre aulas, treinamentos e atividades em laboratório.

O resultado mais recente garantiu à estudante a 12ª colocação no ranking nacional, posição que assegurou sua participação na Olimpíada Ibero-Americana de Física, prevista para ocorrer entre 25 de setembro e 1º de outubro, em João Pessoa. A competição reúne delegações de diversos países e inclui avaliações práticas e teóricas.

Além do desempenho acadêmico, a participação de Mabe chama atenção pelo contexto de baixa presença feminina na área. Durante a preparação, ela foi a única aluna em meio a colegas homens. "É uma tristeza muito grande não ver outras meninas junto comigo. Por causa disso, acaba se tornando um processo muito solitário", afirmou a jovem ao g1.

Apesar disso, a estudante destaca que não enfrentou preconceito direto no ambiente escolar, mas aponta desafios ligados à representatividade.

"Eu acho que as barreiras que afastam as meninas não são intelectuais, são psicológicas. É muito difícil estar em um lugar onde você não vê ninguém parecido com você. Você olha ao redor e só tem meninos. Parece que você não cabe ali", pontuou. 

Segundo professores envolvidos no treinamento, a classificação foi obtida exclusivamente pelo desempenho nas provas. "A Mabe estava esperançosa com a cota feminina, mas ela brigou lá em cima e não precisou de cota. Ela passou por mérito dela", afirmou o coordenador Cadu Farias.

A participação em olimpíadas internacionais é vista como uma oportunidade acadêmica para os estudantes. "São olimpíadas que podem abrir portas para universidades fora do país", disse César Soares, vice-coordenador da Olimpíada Brasileira de Física.

Com interesse em seguir carreira na área de ciências, Mabe pretende se aprofundar em computação quântica. Enquanto define os próximos passos acadêmicos, mantém a preparação para a competição internacional, onde representará o Brasil como a única mulher da delegação selecionada.