Brasil chega à menor taxa de mortalidade infantil em 34 anos em meio a alerta global

Relatório divulgado pela UNICEF aponta avanço histórico no país, mas alerta para desaceleração na queda e persistência de mortes evitáveis no mundo.

O Brasil alcançou a menor taxa de mortalidade infantil dos últimos 34 anos, segundo relatório divulgado neste mês de março pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O dado marca um avanço nos indicadores de saúde, em meio a um cenário global que ainda registra milhões de mortes de crianças todos os anos.

O levantamento, intitulado "Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil", mostra que a redução das mortes de crianças tem avançado nas últimas décadas, mas em ritmo mais lento nos últimos anos. Em 2024, cerca de 4,9 milhões de crianças morreram antes de completar cinco anos em todo o mundo.

No caso brasileiro, a queda da mortalidade infantil reflete a ampliação do acesso a serviços de saúde, vacinação e acompanhamento pré-natal. Ainda assim, o relatório aponta que o ritmo de redução vem desacelerando, tendência observada também em outros países.

De acordo com os dados, quase metade das mortes de crianças ocorre no primeiro mês de vida, o que indica a importância da assistência durante a gestação, o parto e os primeiros dias após o nascimento. Condições como prematuridade e complicações no parto seguem entre as principais causas.

O documento também destaca que a maioria dessas mortes está ligada a causas evitáveis ou tratáveis, como infecções respiratórias, diarreia e outras doenças que podem ser combatidas com medidas básicas de saúde pública.

Apesar do avanço registrado pelo Brasil, o cenário global segue desigual. Regiões com menor acesso a serviços de saúde concentram a maior parte das mortes, com destaque para países da África Subsaariana e do Sul da Ásia.

O relatório indica ainda que a desaceleração na queda da mortalidade infantil pode comprometer metas internacionais previstas até 2030, caso não haja ampliação de investimentos e políticas voltadas à saúde materno-infantil.