Mais de 200 militares espanhóis chegaram neste sábado (21) à base aérea de Torrejón de Ardoz, perto de Madri, após terem sido evacuados do Iraque devido à escalada do conflito no Oriente Médio provocada pelo ataque dos EUA e de Israel contra o Irã, informa a mídia espanhola citando oficiais do Ministério da Defesa.
Do efetivo, 205 soldados retornaram à Espanha vindos da base aérea turca de Incirlik, enquanto que outros 21 militares partiram da base de Ramstein, na Alemanha, um dos principais pontos logísticos do Exército dos EUA e da OTAN.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, havia informado anteriormente que a evacuação dos militares espanhóis que se encontravam no Iraque foi concluída na manhã desta sexta-feira (20), ressaltando que a decisão foi tomada "em total acordo" com os aliados da Aliança Atlântica. "Vamos acompanhar o desenrolar da operação e da situação, que tem sido difícil e complicada, e agora estamos todos atentos à evolução dos acontecimentos no Líbano", acrescentou.
No total, cerca de 300 militares espanhóis cumpriam missão no Iraque. Os soldados faziam parte da coalizão internacional contra o jihadismo "Inherent Resolve" e da missão de treinamento da OTAN nomeada NATO Training Mission - Iraq (NRM-I), cujo objetivo é ajudar a fortalecer as forças de segurança iraquianas.
Madri por diversas vezes manifestou uma oposição radical à guerra de Washington e Tel Aviv contra a República Islâmica. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, classificou a ofensiva como "ilegal" e afirmou que ela "carece de justificativa".
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações militares em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações de substituição de sistemas onerosos dos EUA.