O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já entra na quarta semana, está provocando alta nos preços do petróleo. Embora as montadoras ainda não tenham divulgado seus números de vendas de março, há indícios de que empresas que comercializam veículos elétricos estão se beneficiando desse cenário, informou nesta sexta-feira (20) o jornal The Straits Times.
Concessionárias de montadoras asiáticas de veículos elétricos — como a chinesa BYD e a vietnamita VinFast — estão registrando um aumento significativo nas vendas desse tipo de automóvel, o que tem levado à contratação de mais funcionários para atender à demanda.
"Os preços mais altos do petróleo sempre favorecem a transição para veículos elétricos. Eles criam incentivos econômicos para acelerar a mudança para uma economia mais sustentável", afirmou Albert Park, economista-chefe do Banco Asiático de Desenvolvimento.
Vale destacar que, mesmo antes da atual alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio, a adoção de veículos elétricos já vinha crescendo na Ásia, com algumas exceções, como o Japão.
Na China, veículos elétricos e híbridos plug-in já representam mais da metade das vendas de automóveis, impulsionados por políticas governamentais que incentivam o desenvolvimento de uma indústria nacional baseada em energias alternativas.
Como principal produtora mundial de veículos elétricos, a China desponta como a maior beneficiária do aumento da demanda por esse tipo de automóvel. As exportações de carros elétricos e híbridos plug-in nos dois primeiros meses de 2026 — antes do início do conflito — já haviam mais que dobrado em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.
Em toda a região da Ásia-Pacífico, relatos de restrições na compra de combustível e longas filas em postos de gasolina têm reforçado a percepção positiva dos veículos elétricos. Em cidades como Manila, nas Filipinas, e em outros mercados, a demanda por modelos da BYD também cresceu de forma significativa, incluindo na Nova Zelândia.