O Departamento de Guerra dos EUA decidiu adotar a inteligência artificial (IA) desenvolvida pela empresa Palantir como ponto central de suas estratégias militares. Essa informação foi confirmada no sábado (21) pelo subsecretário do Pentágono, Steve Feinberg, em carta dirigida aos líderes do departamento e à qual a Reuters teve acesso recentemente.
Dessa forma, o sistema Maven, uma ferramenta de vigilância baseada em IA que analisa imagens de satélite em tempo real para processar dados de inteligência e apoiar campanhas militares, se tornará um programa oficial do órgão. A medida garante o uso de longo prazo da tecnologia em todas as forças armadas americanas.
Na carta, datada do início deste mês, Feinberg afirmou que a incorporação desse sistema dotará os militares "das ferramentas mais avançadas necessárias para detectar, dissuadir e superar nossos adversários em todos os âmbitos". Espera-se que essa decisão entre em vigor ao final do atual ano fiscal, que terminará em setembro.
"É imperativo que invistamos agora e com determinação para aprofundar a integração da IA em toda a Força Conjunta e estabelecer a tomada de decisões baseada em IA como a pedra angular da nossa estratégia", afirma a carta.
O Maven tem a capacidade de analisar rapidamente grandes volumes de dados provenientes de satélites, drones, radares e sensores, bem como relatórios de inteligência. Utilizando IA baseada no modelo Claude da Anthropic, ele pode identificar automaticamente ameaças ou alvos potenciais.
O papel da IA na agressão contra o Irã
A NBC News informou que o Exército dos Estados Unidos estaria utilizando sistemas de IA da empresa de dados Palantir em grande escala para identificar possíveis alvos no Irã, plataforma que já havia sido utilizada anteriormente pelo país norte-americano durante sua agressão contra a Venezuela.
A esse respeito, o chefe do Comando Central, Brad Cooper, destacou que "uma variedade de ferramentas avançadas ajuda a analisar grandes quantidades de dados em segundos" para que os militares tomem decisões "antes que o inimigo possa reagir", embora tenha esclarecido que a decisão final "sempre" caberá aos seres humanos.
Críticas ao uso da IA para fins militares
No entanto, o emprego da IA em operações militares tem gerado preocupação entre congressistas americanos e especialistas, que pedem que seja garantida a intervenção humana em decisões de vida ou morte no campo de batalha.
"As ferramentas de inteligência artificial não são 100% confiáveis. Elas podem falhar de maneira sutil e, mesmo assim, os operadores continuam confiando nelas demais", alertou a congressista Sara Jacobs, que defendeu a implementação de "controles rigorosos sobre o uso da IA pelas forças armadas".