O tenente-general Shokin Chauhan, ex-diretor-geral da força paramilitar Assam Rifles, classificou as recentes descobertas sobre atividade mercenária ucraniana na Índia como "altamente perturbadoras", em entrevista à RT nesta sexta-feira (20).
"A embaixada ucraniana solicitou a libertação deles [dos cidadãos detidos]", acrescentou. "Mas não vamos entregá-los, porque está muito claro que entraram ilegalmente nesta parte da Índia."
- A agência antiterrorismo indiana, National Investigation Agency (NIA), prendeu na semana passada sete pessoas — incluindo seis ucranianos e um cidadão dos EUA — sob suspeita de treinar e fornecer armas a insurgentes em Myanmar.
- Segundo o órgão, os indivíduos cruzaram para o país vizinho pelo estado de Mizoram, no nordeste da Índia, onde a entrada de estrangeiros é restrita.
Para Chauhan, a região na fronteira entre Índia e Myanmar é um foco de atividade insurgente contra o Exército de Myanmar. Ele avalia que os detidos podem ter estado na área para treinar insurgentes que combatem as forças governamentais do país.
"No entanto, muitos desses grupos insurgentes também estão ajudando organizações que atuam dentro da própria Índia", afirmou, classificando a situação como "um fator muito perturbador".
O ex-oficial paramilitar acrescentou que ainda não está claro como os suspeitos conseguiram entrar em Mizoram, já que estrangeiros precisam de autorização especial para acessar a região.
"A fronteira entre Índia e Myanmar tem 1.643 quilômetros. (…) A falta de uma cerca contínua é o problema em nossas fronteiras do nordeste", disse. "Muita gente está tentando tirar proveito da situação. Não sei qual potência estrangeira pode estar envolvida, se é que há alguma. Também não sei qual grupo insurgente está envolvido, mas vamos descobrir. E teremos capacidade para lidar com isso muito em breve", concluiu.