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Tenente-coronel da PM exigia sexo da esposa assassinada com argumento de ser 'macho alfa provedor', indicam mensagens

O tenente-coronel exigia que sua esposa cumprisse "regras" durante o casamento, e fosse "fêmea beta obediente e submissa".
Tenente-coronel da PM exigia sexo da esposa assassinada com argumento de ser 'macho alfa provedor', indicam mensagensReprodução/Redes Sociais

Mensagens entre a soldado Gisele Alves e o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, indicam imposição de relações sexuais sob a justificativa de que ele era o "provedor" e contribuia com "dinheiro". O caso foi publicado pelo g1 nesta sexta-feira (20). Ele está preso indiciado por feminicídio da esposa e fraude processual.

As conversas analisadas pela Polícia Civil apontam controle psicológico, financeiro e resistência ao divórcio. "Casamento é uma via de mão dupla. Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo", escreveu o tenente-coronel.

As mensagens também mostram imposição de regras e restrições à rotina da vítima. O oficial limitava comportamentos, criticava atitudes e condicionava a relação ao cumprimento de exigências.

Em um trecho, ele se autodenomina "macho alfa" e exigia submissão da vítima:  "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser", escreveu.

Cinco dias antes do crime, Gisele comunicou a separação. "Estou praticamente solteira", disse. A resposta foi: "Jamais! Nunca será".

Segundo a acusação, laudos e reprodução simulada descartam suicídio. O oficial teria atirado e, em seguida, alterado a cena para simular que a vítima tirou a própria vida.

A Justiça decretou a prisão preventiva na quarta-feira (18). Ele está no Presídio Militar Romão Gomes.

O caso pode ir ao Tribunal do Júri. O Ministério Público pediu indenização mínima de R$ 100 mil à família.

A defesa nega o crime e afirma que o oficial colaborou com as investigações.

Relembre o caso 

Gisele foi encontrada morta no apartamento em que morava com o marido. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio pelo próprio tenente-coronel, que chamou o socorro e comunicou as autoridades. Posteriormente, a ocorrência foi alterada para morte suspeita.

Exames do Instituto Médico Legal (IML) apontaram lesões de contusão na face e na região cervical de Gisele, compatíveis com pressão digital e arranhões de unha, indicando sinais de violência antes do disparo.

Uma testemunha relatou ter ouvido o disparo às 7h28, mas o tenente-coronel só acionou o Copom às 7h57.

O intervalo de quase meia hora entre o disparo e a comunicação às autoridades é apontado pelo advogado como um ponto relevante nas investigações.