O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sancionou na quinta-feira (19) uma lei que ratifica a Convenção Internacional contra o Recrutamento, Uso, Financiamento e Treinamento de Mercenários.
O acordo internacional foi adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1989, com o objetivo de coibir o envio de combatentes para conflitos ao redor do mundo ou recrutamento para a prática de crimes.
"Trabalhamos muito no Congresso, e tive a honra e a sorte de ser o coordenador e relator deste projeto de lei, que nos impede de continuar exportando morte, de continuar enganando homens e mulheres e, sobretudo, de nos tornarmos uma fonte de dor e angústia em países como Ucrânia, Congo, Iêmen ou México", disse o deputado Alejo Torres, do partido governista Pacto Histórico.
O texto afirma que "os Estados Partes não devem recrutar, usar, financiar ou treinar mercenários com o objetivo de se oporem ao exercício legítimo do direito inalienável dos povos à autodeterminação, reconhecido pelo direito internacional, e devem tomar […] as medidas apropriadas para impedir o recrutamento, o uso, o financiamento ou o treinamento de mercenários para tal fim".
Mercadoria da morte
A Colômbia, assolada por um conflito interno armado que já dura mais de seis décadas, tornou-se exportadora de mercenários para diversas guerras, possuindo um contingente significativo de indivíduos com treinamento militar comprovado, tanto das Forças Armadas quanto de vários grupos insurgentes e milícias paramilitares.
Um grande número de colombianos tem viajado à Ucrânia para se alistar como mercenários do regime de Kiev.
Segundo depoimentos de vários deles, as redes sociais são o principal meio de aliciamento.
Os aliciadores oferecem benefícios financeiros muito superiores aos salários regulares na Colômbia, além de treinamento especializado e promessas de risco mínimo à vida.
Ao chegarem às zonas de combate, no entanto, descobrem que foram enganados e são enviados para a linha de frente sem treinamento suficiente e abandonados à própria sorte, com pouco equipamento ou apoio.
Os pagamentos prometidos não são feitos, e em casos de morte ou desaparecimento, as famílias sofrem com processos judiciais angustiantes por notícias dos entes queridos.