
Gustavo Petro sanciona lei que criminaliza o mercenarismo na Colômbia

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sancionou na quinta-feira (19) uma lei que ratifica a Convenção Internacional contra o Recrutamento, Uso, Financiamento e Treinamento de Mercenários.
O acordo internacional foi adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1989, com o objetivo de coibir o envio de combatentes para conflitos ao redor do mundo ou recrutamento para a prática de crimes.
"Trabalhamos muito no Congresso, e tive a honra e a sorte de ser o coordenador e relator deste projeto de lei, que nos impede de continuar exportando morte, de continuar enganando homens e mulheres e, sobretudo, de nos tornarmos uma fonte de dor e angústia em países como Ucrânia, Congo, Iêmen ou México", disse o deputado Alejo Torres, do partido governista Pacto Histórico.
O texto afirma que "os Estados Partes não devem recrutar, usar, financiar ou treinar mercenários com o objetivo de se oporem ao exercício legítimo do direito inalienável dos povos à autodeterminação, reconhecido pelo direito internacional, e devem tomar […] as medidas apropriadas para impedir o recrutamento, o uso, o financiamento ou o treinamento de mercenários para tal fim".
¡Magnífica noticia!El presidente @petrogustavo sancionó la Ley 2569 del 17 de marzo de 2026 que prohíbe el uso de mercenarios colombianos. Dejaremos de exportar muerte, de que jóvenes sean carne de cañón, de hacer de la muerte un negocio donde se benefician los capos de las… pic.twitter.com/RuEHgpe0Ba
— Alejo TORO (@AlejoToroAnt) March 18, 2026
Mercadoria da morte
A Colômbia, assolada por um conflito interno armado que já dura mais de seis décadas, tornou-se exportadora de mercenários para diversas guerras, possuindo um contingente significativo de indivíduos com treinamento militar comprovado, tanto das Forças Armadas quanto de vários grupos insurgentes e milícias paramilitares.

Um grande número de colombianos tem viajado à Ucrânia para se alistar como mercenários do regime de Kiev.
Segundo depoimentos de vários deles, as redes sociais são o principal meio de aliciamento.
Os aliciadores oferecem benefícios financeiros muito superiores aos salários regulares na Colômbia, além de treinamento especializado e promessas de risco mínimo à vida.
Ao chegarem às zonas de combate, no entanto, descobrem que foram enganados e são enviados para a linha de frente sem treinamento suficiente e abandonados à própria sorte, com pouco equipamento ou apoio.
Os pagamentos prometidos não são feitos, e em casos de morte ou desaparecimento, as famílias sofrem com processos judiciais angustiantes por notícias dos entes queridos.
