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Militar francês revela localização do porta-aviões Charles de Gaulle ao usar aplicativo de exercícios

Dados publicados em perfil público permitiram rastrear a embarcação quase em tempo real durante seu deslocamento pelo Mediterrâneo.
Militar francês revela localização do porta-aviões Charles de Gaulle ao usar aplicativo de exercíciosGettyimages.ru / nirat

Um militar da Marinha francesa divulgou, sem saber, a posição do porta-aviões Charles de Gaulle ao registrar uma corrida no aplicativo Strava durante deslocamento no Mediterrâneo, informou o jornal Le Monde na quinta-feira (19).

No dia 13 de março, às 10h35,  Arthur (nome fictício), um jovem oficial da Marinha francesa, corria pelo convés do navio. Para registrar seu desempenho — pouco mais de 7 quilômetros percorridos em trinta e cinco minutos — ele usou o smartwatch em seu pulso e os dados coletados foram parar na internet.

Como Arthur tem um perfil no aplicativo de exercícios Strava, e ele é público, qualquer pessoa pode visualizá-lo. O jovem, portanto, relatou quase em tempo real a posição exata no Mar Mediterrâneo do porta-aviões Charles de Gaulle e sua escolta. Conforme apurou o jornal, o navio se localizava a noroeste de Chipre e a cerca de cem quilômetros da costa turca.

Missão de Macron para reabrir o estreito de Ormuz

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou em 9 de março que Paris está preparando uma missão "estritamente defensiva" para reabrir o estreito de Ormuz, depois que a via marítima foi bloqueada pelo Irã em retaliação à agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o país. 

"A presença francesa será destacada a partir do Mediterrâneo Oriental, no Mar Vermelho e precisamente ao largo da costa de Ormuz", detalhou o presidente francês. Segundo ele, o país "mobilizará oito fragatas, dois porta-helicópteros anfíbios e o porta-aviões Charles de Gaulle, atualmente perto de Creta, na Grécia".

«ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO»

Fechamento do estreito de Ormuz

Após o início da agressão dos Estados Unidos e de Israel no fim de fevereiro, o Irã bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, que liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã, proibindo a passagem embarcações e afirmando que não sairá da região "nem uma única gota de petróleo" por via marítima, o que elevou os preços dos combustíveis.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) reiterou que navios dos Estados Unidos e de seus aliados não podem atravessar o estreito.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na segunda-feira (17) que o estreito de Ormuz segue aberto e está fechado apenas para embarcações de países considerados inimigos.