Na quinta-feira (19), o presidente do Conselho Europeu (CE), António Costa, fez duras críticas ao primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, por bloquear o empréstimo de 90 bilhões de euros da União Europeia (UE) para a Ucrânia, informou o portal Politico, citando fontes diplomáticas.
Durante a discussão, que durou uma hora e meia, na cúpula do Conselho Europeu, Costa classificou a postura de Orbán como "inaceitável" e considerou-a uma violação dos princípios de cooperação que sustentam a UE.
Segundo um diplomata, que falou sob condição de anonimato, o presidente do CE destacou que nenhum líder havia cruzado antes essa "linha vermelha".
A irritação com Orbán, de acordo com o portal, atingiu níveis sem precedentes. No entanto, com o Fidesz — o partido governista da Hungria — perdendo terreno nas pesquisas antes das eleições de 12 de abril, poucos líderes queriam se ver arrastados para a política interna de Budapeste.
Enquanto isso, o premiê húngaro respondeu às críticas alegando que seu veto era legal. A essa posição juntou-se o primeiro-ministro, Robert Fico, da Eslováquia, que afirmou que seu país perdeu muito com a suspensão do fornecimento de combustível russo, que adquiria com desconto.
Pressão fracassada sobre Orbán
O artigo destaca que a UE esperava que o premiê húngaro mudasse de posição após a organização da missão da Comissão para inspecionar o oleoduto Druzhba. No entanto, a iniciativa foi um fracasso, já que a equipe ficou à espera em Kiev para obter permissão para visitar o local.
Enquanto isso, o segundo plano, que consistia em que o chanceler alemão, Friedrich Merz, pressionasse Orbán, também não surtiu efeito e não conseguiu alterar a postura do líder húngaro.
Tensões em torno do oleoduto Druzhba
- No final de agosto e início de setembro de 2025, o regime de Kiev perpetrou vários ataques com drones e mísseis contra o oleoduto Druzhba em território russo, o que provocou a suspensão do fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia.
- Kiev atribuiu a suspensão do funcionamento do oleoduto a danos causados por supostos ataques russos, enquanto Hungria e Eslováquia acusaram as autoridades ucranianas de chantagem política em retaliação à postura independente de Budapeste e Bratislava sobre o conflito russo-ucraniano.
- Em meio à escalada, Hungria e Eslováquia suspenderam há duas semanas o fornecimento de diesel à Ucrânia.
- A Hungria também bloqueou um empréstimo de 90 bilhões de euros (cerca de R$ 546 bilhões) acordado na UE para a Ucrânia e ameaçou suspender o fornecimento de gás natural e eletricidade a Kiev pelo mesmo motivo. Budapeste também bloqueou o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia.