Chefe da Rosatom faz alerta após ataque a usina nuclear iraniana

"Nenhuma das partes do conflito escapará da exposição à radiação se ocorrer um acidente", afirmou o diretor da estatal russa, principal contratada da usina atacada.

Alexey Likhachev, diretor da empresa energética nuclear russa Rosatom – principal contratada da usina iraniana de Bushehr, que foi atacada recentemente, – fez um apelo para que se evitem novos ataques contra a instalação.

"Se ocorrer um incidente, ele terá, no mínimo, alcance regional e afetará um grande número de países do Oriente Médio", advertiu Likhachev nesta quinta-feira (19).

"Nenhuma das partes em conflito escapará da exposição à radiação se ocorrer um acidente grave", continuou ele.

Ele pediu aos líderes e parlamentares dos países envolvidos no conflito que "façam todo o possível para evitar o risco, inclusive a mera insinuação, de que se repitam possíveis ataques diretos contra a unidade operacional".

Likhachev também anunciou que a Rosatom planeja uma nova evacuação dos funcionários da usina nuclear de Bushehr assim que as condições o permitirem. "É evidente que, de modo geral, a situação está se agravando no Golfo Pérsico, no Irã", declarou.

O que se sabe sobre o ataque?

A usina de Bushehr é a primeira usina nuclear do Irã e de todo o Oriente Médio. Sua construção começou em 1975 e foi retomada em 1995, após um longo período de inatividade, com a participação da Rosatom.

Em setembro de 2011, a primeira unidade de energia foi conectada à rede elétrica e iniciou sua operação comercial em junho de 2013.

A construção da segunda unidade já foi iniciada, embora as obras tenham sido suspensas devido ao atual conflito. Além disso, foi assinado um contrato para a construção de uma terceira unidade.