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Astrônomos descobrem estranha relíquia que guarda vestígios das primeiras estrelas do universo

Trata-se da evidência mais clara até agora de uma estrela de "segunda geração", formada a partir dos resíduos químicos das primeiras supernovas do universo.
Astrônomos descobrem estranha relíquia que guarda vestígios das primeiras estrelas do universoNoirLab / NASA

Uma equipe de astrônomos descobriu uma "relíquia estelar" extremamente rara na galáxia anã Pictor II, localizada a cerca de 150 mil anos-luz da Terra, informou o Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Ótica-Infravermelha (NOIRLab), sediado no Arizona, nos Estados Unidos.

Trata-se do astro PicII-503, que se destaca por conter menos ferro do que qualquer outra estrela conhecida.

A estrela tem menos de 1/40.000 da quantidade de ferro presente no Sol, e uma enorme proporção de carbono, 1,5 mil vezes maior do que a do astro mais próximo da Terra.

De acordo com os pesquisadores, PicII-503 é a melhor evidência até o momento de uma estrela de "segunda geração", ou seja, um objeto estelar formado a partir dos resíduos químicos gerados pela morte explosiva (supernova) das primeiras estrelas do universo.

As estrelas de primeira geração, formadas a partir de hidrogênio e hélio, foram responsáveis pela criação de elementos mais pesados, como o carbono e o ferro, que depois foram incorporados às estrelas das gerações posteriores.

Natureza química incomum

A descoberta dessa estrela primitiva, publicada na revista Nature Astronomy, foi realizada graças aos dados coletados com a Câmera de Energia Escura (DECam) montada no telescópio Víctor M. Blanco, localizado no observatório Cerro Tololo (Chile).

Os cientistas confirmaram a composição química da estrela após combinar observações de diferentes telescópios terrestres, incluindo o Magellan/Baade e o VLT.

A descoberta de PicII-503 confirma o papel das supernovas de baixa energia, uma vez que ela se encontra em uma das menores galáxias anãs conhecidas. Se a explosão tivesse sido de alta energia, os metais teriam escapado de Pictor II.

A descoberta sugere que as estrelas pobres em metais e ricas em carbono do halo da Via Láctea se formaram em antigas galáxias anãs que posteriormente se fundiram com a galáxia.

"Descobrir uma estrela que conserva inequivocamente os metais pesados das primeiras estrelas era algo que considerávamos impossível, dada a extrema raridade desses objetos", destacou o cientista Anirudh Chiti.