Lula faz forte crítica aos EUA: acham que são 'donos do mundo'

Não é aceitável "alguém achando que é dono do mundo e levanta de manhã" para anunciar que "vai tomar a Groenlândia", Venezuela, Cuba ou outras regiões, afirmou o presidente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania nacional e criticou posturas expansionistas durante discurso na Caravana Federativa em São Paulo, nesta quinta-feira (19). Sem citar diretamente nomes, ele condenou a ideia de líderes que se comportam como "donos do mundo" e ameaçam a estabilidade internacional.

Ao abordar princípios das relações entre Estados, Lula afirmou que "a gente precisa aprender a respeitar a autodeterminação dos povos" e destacou que também é essencial garantir "a integridade territorial dos países".

Em tom crítico, acrescentou que não é aceitável "alguém achando que é dono do mundo e levanta de manhã" para anunciar que "vai tomar a Groenlândia", Venezuela, Cuba ou outras regiões, em referência indireta a declarações associadas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O mandatário ainda fez um apelo por prioridades globais distintas, defendendo que "o mundo precisa de paz e não de guerra", além de enfatizar que educação e segurança alimentar devem prevalecer sobre conflitos.

Guerra que ''ninguém pediu''

Lula também criticou a postura dos Estados Unidos e da União Europeia ao relembrar a atuação do Brasil no acordo nuclear com o Irã, em 2010. Segundo ele, o cenário econômico atual poderia ser mais favorável "se a gente não fosse pego de surpresa com uma guerra" que, em suas palavras, "ninguém pediu" e "não tem nenhuma necessidade".

Ao narrar os bastidores da negociação, Lula afirmou que decidiu intervir diante das acusações de que o Irã buscava desenvolver armas nucleares. Ele relatou que propôs um entendimento que garantisse o direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e disse ter enfrentado resistência direta de Washington. "O Obama dizia para mim: Lula, você não vai lá no Irã porque eles não vão fazer, eles são mentirosos", afirmou, acrescentando que ignorou os alertas e seguiu com a iniciativa: "Eu fui. Fiquei dois dias inteiros".

O presidente destacou que Brasil e Turquia conseguiram firmar um acordo com Teerã, mas que o resultado foi rejeitado pelas potências ocidentais. "Quando eu pensei que o Brasil e a Turquia iam ganhar o prêmio Nobel da paz, o que aconteceu? Ao invés de aceitar o nosso acordo, aumentaram o bloqueio", disse.