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Ex-chefe de antiterrorismo dos EUA explica por que lutar ao lado de Israel é perigoso

"Neste momento, estamos em colaboração com os israelenses, que estão buscando alguns objetivos militares, mas também muitos outros que não são", alertou Joe Kent.
Ex-chefe de antiterrorismo dos EUA explica por que lutar ao lado de Israel é perigosoGettyimages.ru / Nasser Ishtayeh /

Joe Kent, que renunciou na terça-feira (17) ao cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA por não concordar com o conflito em curso no Irã, explicou por que acredita que Washington não deve participar de operações conjuntas com Israel contra a República Islâmica.

"É importante que entendamos nossos 'parceiros'. Se vamos colaborar com eles, precisamos ser realistas. Só porque eles falam inglês, muitos deles estudaram aqui e nós temos dupla cidadania, não significa que eles vão atacar da mesma forma que nós", enfatizou Kent em entrevista a Tucker Carlson divulgada nesta quinta-feira (19).

Ele lembrou dos acontecimentos na Faixa de Gaza, destacando que é assim que os israelenses lutam.

"Então, temos que ser realistas e entendermos que é assim que eles vão lutar. E agora não seremos vistos apenas como cúmplices, mas como parceiros nisso", enfatizou o ex-diretor.

Kent explicou que esta é "uma situação muito perigosa" para os EUA, já que sua agressão contra o Irã não busca o mesmo objetivo que Tel Aviv.

"Nossos objetivos táticos, pelo menos, têm sido bastante claros: queremos desmantelar os mísseis balísticos, o programa nuclear, a Marinha, o Exército, etc. E esses são objetivos militares. Mas, neste momento, estamos em parceria com os israelenses, que estão buscando alguns objetivos militares, mas também muitos outros que não são", alertou Kent.

"Os israelenses não estão se esquivando da mudança de regime. Eles querem derrubar, paralisar o governo atual. Eles parecem não ter um plano para o que vem a seguir", afirmou. No entanto, para atingir seus objetivos, eles precisam do apoio de Washington. "Em última análise, os israelenses não conseguiriam fazer nada disso sem nós", e, portanto, "é do interesse deles que nos envolvamos cada vez mais", concluiu Kent.