O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, evitou assumir uma posição pública sobre a questão do Estreito de Ormuz, preferindo "esconder-se" e tratar das exigências do presidente dos EUA, Donald Trump, à aliança militar nos bastidores. É o que afirma um oficial ao portal Politico, em reportagem publicada nesta quinta-feira (19).
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"Ele está calculando que há pouco a ganhar falando agora. Não vejo como ele poderia satisfazer o desejo (de Trump). Por isso, prefere 'esconder-se', pelo menos publicamente", declarou, sob condição de anonimato, um funcionário da OTAN.
O conflito no Oriente Médio colocou a OTAN entre a cruz e a espada. Por um lado, Washington pressiona por um maior envolvimento, enquanto vários membros se mostram relutantes em se envolver em uma guerra fora da área tradicional de atuação da aliança.
Além disso, o Politico destaca que o uso intensivo de sistemas militares na região — especialmente a defesa aérea — ameaça desviar recursos essenciais destinados ao apoio à Ucrânia e à preparação para um eventual conflito com a Rússia.
Nesse contexto, Rutte tem sido criticado por alguns setores europeus por seu aparente alinhamento com Washington. A eurodeputada eslovaca Lucia Yar chegou a questionar se o secretário-geral representa realmente os interesses da OTAN ou os dos Estados Unidos.
Apesar das tensões, a OTAN não recebeu solicitações formais concretas dos EUA para intervir, e seus próprios estatutos limitam sua atuação em cenários como o do Irã. No entanto, o prolongamento do conflito já começa a ter efeitos tangíveis, com a realocação de recursos militares americanos e britânicos de operações da aliança militar para o Oriente Médio.
Coalizão que não se forma
Anteriormente, Trump havia expressado sua esperança de que "a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros países afetados por essa restrição artificial" enviassem navios de guerra para desbloquear o Estreito de Ormuz.
Apesar das declarações de Trump, os aliados dos EUA não se apressaram em adotar medidas concretas nem em apoiar essa iniciativa. Nenhum dos países mencionados aceitou participar da operação.
O presidente americano então advertiu: "Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, acredito que será muito ruim para o futuro da OTAN".
Estreito de Ormuz
- Teerã fechou o Estreito de Ormuz, que conecta o golfo Pérsico ao de Omã, após a agressão dos EUA e de Israel, proibindo a passagem de todo tipo de embarcação e afirmando que não sairá da região "nem uma única gota de petróleo" por via marítima.
- O bloqueio dessa rota marítima vital, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, impulsionou os preços do petróleo. Em 9 de março, o preço do barril registrou volatilidade histórica: superou os US$ 100 e se aproximou dos US$ 120 nas primeiras horas do dia. Na segunda-feira (16), os contratos futuros do Brent voltaram a subir e foram negociados acima de US$ 104 por barril, nível não visto desde julho de 2022.
- O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica reiterou que navios dos EUA e de seus aliados não podem atravessar o estreito. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o estreito de Ormuz segue aberto e está fechado apenas para embarcações de países considerados inimigos.