Diante da escalada do conflito no Oriente Médio, as principais companhias de transporte marítimo do mundo estão acionando uma estratégia jurídica do século XIX para lidar com a paralisia no Estreito de Ormuz, informou na quarta-feira (18) o Financial Times.
Gigantes como MSC, Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd notificaram clientes sobre a aplicação da Lei de Conhecimentos de Embarque de 1855, que autoriza o desvio de cargas para o porto seguro mais próximo, encerrando ali a responsabilidade contratual do transportador.
A MSC, a maior empresa de transporte marítimo do mundo, reivindicou a norma no dia 3 de março, redirecionando embarques com destino ao Golfo Pérsico para terminais alternativos. A empresa aplicará sobretaxa obrigatória de US$ 800 por contêiner a todos os envios afetados, sem exceção, para cobrir custos operacionais.
Peter Sand, analista-chefe da Xenata, alertou que, à medida que os contêineres se acumulam nos portos para os quais a carga está sendo desviada, esses portos sofrerão uma pressão ainda maior, pois a sobrecarga reduzirá a eficiência e gerará efeito dominó em todo o sistema logístico.
Estima-se que aproximadamente 90% das mercadorias mundiais sejam transportadas por via marítima, e cerca de 5% passem pelo Estreito de Ormuz. Atualmente, cerca de 3.200 navios permanecem retidos no Golfo Pérsico em consequência do conflito no Oriente Médio.