Guerra prolongada contra Irã terá grande impacto em preços dos alimentos, diz economista da ONU

Os países do Golfo Pérsico estão entre os principais exportadores mundiais de fertilizantes nitrogenados, como ureia e amônia; caso a crise continue os custos agrícolas e os preços dos alimentos em todo o mundo subirão.

Se a guerra contra o Irã durar mais de três meses, o impacto se tornará "significativamente mais sério", afetando o custo de insumos na agricultura e interrompendo a próxima safra, com consequências a longo prazo, disse o economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Maximo Torero, citado pelo South China Morning Post, nesta quinta-feira (19).

"Por isso é tão importante não permitir que isso continue a se intensificar por um período prolongado", afirmou ele. 

De acordo com Torero, é fundamental encontrar alternativas de transporte, mesmo que não sejam equivalentes. O objetivo é ter um mínimo de opções para evitar que os preços aumentem rapidamente, buscando uma certa estabilidade no mercado.

De acordo com as estimativas, os preços globais dos fertilizantes poderiam permanecer de 15% a 20% acima no primeiro semestre do ano, caso a crise continue, elevando os custos agrícolas e os preços dos alimentos em todo o mundo.

Como até 30% do comércio global de fertilizantes normalmente passa pelo Estreito de Ormuz, cortes na produção e interrupções no transporte já retiveram entre 3 a 4 milhões de toneladas de fertilizantes. 

« ENTENDA POR QUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

Os países do Golfo Pérsico, incluindo Irã, Arábia Saudita e Omã, estão entre os principais exportadores mundiais de fertilizantes nitrogenados, como ureia e amônia, respondendo por cerca de um terço das exportações globais de ureia e entre 20% a 30% das exportações de amônia

Bloqueio do estreito de Ormuz