'Podíamos ter dito não a Israel', diz ex-chefe da unidade antiterrorista dos EUA

Em entrevista a Tucker Carlson, Joe Kent afirmou que Washington foi arrastada para a guerra por Tel Aviv; ele renunciou ao cargo na terça-feira (17) por considerar que o Irã não representava uma ameaça aos Estados Unidos.

Os EUA poderiam se recusar a participar da agressão de Israel ao Irã, ou retaliar Tel Aviv em caso de ação unilateral, afirmou Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, em entrevista a Tucker Carlson na quarta-feira (18). 

"Havia a possibilidade de termos feito várias coisas. Poderíamos simplesmente ter dito aos israelenses: 'Não, vocês não farão isso. E se fizerem, tiraremos algo de vocês'", avaliou Kent.

Questionando "quem dirige" a política americana no Oriente Médio e "quem decide" quando os EUA entram em guerra, ele comentou as declarações da Casa Branca desde o início das agressões ao Irã.

"Como descrito pelo secretário [da Guerra, Peter Hegseth] e depois pelo presidente [Trump]; em seguida pelo presidente da Câmara dos Representantes [Mike Johnson] (...) foram os israelenses que impulsionaram a decisão de empreender a ação, que sabíamos que desencadearia uma série de eventos, o que significa que os iranianos retaliariam", argumentou.

Para Kent, é "aceitável" que os EUA prestem apoio defensivo a Israel, mas esse tipo de cooperação pressupõe que Washington tenha "o direito de ditar" as condições. 

"Os israelenses se sentiram encorajados ao pensar que, independentemente do que fizessem, independentemente da situação em que nos colocassem, poderiam seguir em frente com essa ação. E nós simplesmente teríamos que reagir", concluiu.