O assassinato de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança do Irã, perpetrado por Estados Unidos e Israel, é visto por Tel Aviv como uma "vitória" dentro da ofensiva recente contra a nação persa. "Fizemos isso de graça", gabou-se o ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, em referência à recompensa de US$ 10 milhões oferecida por Washington.
Teerã classificou a ação como um "ataque terrorista e criminoso" e afirmou que o episódio não enfraquece a determinação do país, mas tende a reforçar a coesão interna e a resistência política. Até o momento, a Casa Branca não se pronunciou. Analistas, no entanto, já avaliam possíveis as consequências para Washington.
Uma figura-chave
"Ali Larijani foi uma figura-chave, por quem passavam os principais mecanismos de controle tanto da política interna quanto externa. Após o assassinato de Ali Khamenei, ele consolidou praticamente o que restava da estrutura vertical do poder iraniano", afirmou Kirill Semenov, especialista em Oriente Médio.
"Na verdade, ele substituiu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, em vários âmbitos da política externa", acrescentou.
Para Semenov, embora Larijani fosse ligado ao setor conservador, era visto como um negociador pragmático. "Sabia quando era necessário ser firme e quando ceder. Jamais teria levado o país a uma situação de risco existencial", afirmou.
Nesse cenário, o especialista avalia que não está claro com quem os Estados Unidos poderiam negociar atualmente. Ele cita o presidente Masoud Pezeshkian e o próprio Araghchi, mas questiona o grau de influência de ambos em decisões estratégicas.
Trump "sem saída"
O analista político Trita Parsi alerta que a morte de Larijani pode deixar o presidente Donald Trump "sem saída" na guerra com o Irã. Segundo ele, o dirigente iraniano era um dos poucos capazes de viabilizar um consenso interno em favor de negociações com Washington.
"Os israelenses querem que a guerra continue, degradando ainda mais as capacidades militares do Irã para alterar o equilíbrio na região a favor de Israel nos próximos anos. Eles lutaram por mais de duas décadas para que os EUA entrassem em guerra total com o Irã e, tendo finalmente alcançado esse objetivo, não querem que Trump interrompa a guerra", afirma.
Para o analista, a ausência de figuras como Larijani reduz as opções diplomáticas disponíveis. "Quer essa tenha sido a intenção de Israel ou não, o resultado mais provável, no entanto, é a destruição de possíveis saídas para Trump", conclui.