
Ex-chefe antiterrorismo dos EUA explica por que descartou ameaça do Irã

O ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, afirmou que não havia evidências de uma ameaça iminente do Irã ao país ao comentar sua decisão de deixar o cargo. As declarações foram feitas em entrevista ao jornalista Tucker Carlson, após sua renúncia na segunda-feira (17).
Kent deixou a função em meio a divergências com a política adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação a Teerã. Na carta de renúncia, ele afirmou que não poderia, "em boa consciência, apoiar a guerra em curso no Irã", ao considerar que o país "não representava nenhuma ameaça iminente" para os Estados Unidos.
Durante a entrevista, Carlson pontuou que não havia informações de inteligência indicando uma ameaça imediata, nem sinais de que Teerã estivesse prestes a fabricar uma arma nuclear ou tentando desenvolvê-la, e questionou se Kent tinha conhecimento de evidências nesse sentido.
"Não sei", respondeu Kent. "Mas sei como funciona", acrescentou.

Na sequência, o ex-diretor explicou como ocorrem as trocas de informações entre aliados. Segundo ele, "autoridades israelenses, algumas da inteligência, outras do governo, abordam autoridades do governo americano e lhes dizem todo tipo de coisa que sabemos, por meio de nossa inteligência, que simplesmente não é verdade".
Ele afirmou ainda que esse tipo de alerta costuma ser apresentado como informação preliminar, fora dos canais tradicionais de inteligência, e que, em sua experiência, "geralmente não se concretizam".
Kent também questionou a justificativa pública apresentada por autoridades americanas para a ofensiva, afirmando que ela enfraquece a tese de risco imediato.
"Seria mais difícil de explicar [o início da ofensiva] se o secretário de Estado, o presidente e o presidente da Câmara dos Representantes não tivessem dito que realizamos esse ataque naquele momento porque os israelenses estavam prestes a fazê-lo", afirmou.
Para ele, essa explicação contradiz a ideia de uma ameaça iminente por parte do Irã.
"Então isso descarta o argumento de que havia uma ameaça iminente, como se o Irã estivesse planejando nos atacar imediatamente", concluiu.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações militares em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações de substituição de sistemas onerosos dos EUA.
