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Costa Rica limita relações com Cuba 'por pressão dos EUA', denuncia Havana

Em comunicado, o governo cubano afirmou que a decisão da Costa Rica de limitar as relações com Havana ao nível consular foi tomada "sem nenhum tipo de justificativa".
Costa Rica limita relações com Cuba 'por pressão dos EUA', denuncia HavanaGettyimages.ru / Sven Creutzmann/Mambo photo

O Ministério das Relações Exteriores de Cuba acusou nesta quarta-feira (18) os EUA de promoverem o deterioramento da relação diplomática cubana com a Costa Rica, após o governo de Rodrigo Chaves anunciar o fechamento de sua embaixada na ilha.

"Por pressão dos Estados Unidos, a Costa Rica limita suas relações com Cuba ao âmbito consular", afirmou o ministério em um comunicado. "Com este passo, o governo costarriquenho, que exibe um histórico de subordinação à política dos Estados Unidos contra Cuba, se soma mais uma vez à ofensiva do governo norte-americano em suas renovadas tentativas de isolar nosso país das nações da nossa América", acrescentou.

A Costa Rica também solicitou a Cuba que retire o pessoal diplomático de sua embaixada em San José, exceto os funcionários consulares, uma decisão que, segundo Havana, ocorreu "sem nenhum tipo de justificativa, e invocando uma suposta e infundada reciprocidade".

Desta forma, a partir do próximo dia 1º de abril, o Executivo da Costa Rica manterá as relações com Cuba apenas em nível consular. "Trata-se de uma decisão arbitrária, evidentemente adotada sob pressão e sem levar em consideração os interesses nacionais e desse povo irmão", insistiu o Ministério das Relações Exteriores cubano.

Postura da Costa Rica

Durante uma entrevista coletiva em Peñas Blancas, o presidente costarriquenho não reconheceu a legitimidade do Executivo cubano.

"Não reconhecemos a legitimidade desse governo (...) levem seus diplomatas", ressaltou. "Os americanos dizem 'enough is enough', já chega", declarou.

Chaves é um dos líderes que se somou à iniciativa do "Escudo das Américas", lançado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para combater o crime organizado transnacional e a migração ilegal.

No ato em Peñas Blancas, também esteve presente Laura Fernández, presidente eleita que governará a Costa Rica a partir do próximo dia 8 de maio e que aprovou o anúncio.

Posição de Cuba

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou nesta quarta-feira (18) a decisão da Costa Rica de fechar sua embaixada em Havana e rebaixar os laços bilaterais ao nível consular como "um ato inamistoso", motivado pelo interesse de Washington em conseguir apoio para sua política de cerco contra Cuba.

"Rejeitamos a decisão unilateral do governo da Costa Rica de rebaixar o nível das relações com Cuba, limitando-as ao âmbito consular, sem argumento nem justificativa alguma", escreveu o mandatário em suas redes sociais.

Díaz-Canel também afirmou que a ação "responde a evidentes pressões do governo dos EUA, como parte de sua renovada ofensiva para tentar somar outros países à sua fracassada política contra Cuba".

Para encerrar, o mandatário cubano previu que aqueles que promovem essas ações "vão colidir contra a força das históricas e profundas relações entre ambos os povos".