EUA enxergam BRICS 'como uma pedra no sapato', diz Rússia

A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, indicou estar a par de relatos sobre suposta articulação dos EUA para provocar a saída da África do Sul do BRICS.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta quarta-feira (18) que Moscou está a par dos "relatos baseados em fontes anônimas" que indicam que os EUA buscam que África do Sul abandone o BRICS.

Ao mesmo tempo, a porta-voz assinalou que, no último dia 11 de março, o chanceler sul-africano, Ronald Lamola, afirmou em uma coletiva de imprensa que o embaixador norte-americano em Pretória, Leo Brent Bozell III, "não havia expressado nenhuma exigência formalizada nem nada parecido sobre a saída da África do Sul do BRICS".

"Mas o fato de Washington não gostar do BRICS, para dizer o mínimo — por alguma razão o percebe como um desafio, como uma ameaça, como uma espécie de pedra no sapato —, isso em Washington ninguém esconde", acrescentou Zakharova.

O BRICS e a agressão contra o Irã

Além disso, a diplomata denunciou que a escalada bélica na região do Golfo Pérsico, "causada pela agressão não provocada e infundada dos EUA e de Israel contra o Irã", membro do grupo BRICS, "tem um impacto negativo na estabilidade regional e global, bem como nas relações internacionais em geral".

A porta-voz lembrou que o chanceler russo, Sergey Lavrov, pronunciou-se em repetidas ocasiões sobre este tema, enquanto outros países do BRICS também fizeram suas próprias declarações a respeito.

"No âmbito do grupo também estamos discutindo este problema, e o estamos fazendo de maneira muito ativa. Todos, dentro do BRICS, estão interessados em reduzir a tensão e em uma solução político-diplomática para a crise atual", sublinhou.

Zakharova minimizou as diferenças entre membros do grupo sobre a situação, destacando: ''o principal é que todos os Estados do BRICS mantêm sua disposição de fortalecer a cooperação prática neste formato e de alcançar resultados concretos".

"Um motivo comum para a crítica"

Além disso, a porta-voz chamou a atenção para como se tenta alterar o foco do problema. "Muitos estão criticando o BRICS por não formular suficientemente sua postura", mas são os EUA e Israel que estão realizando uma campanha militar contra o Irã.

"Desde 1º de março, dois Estados bombardeiam todos os dias a população civil de um Estado soberano, que responde defendendo seu território. Além do mais, esta escalada está se ampliando. E criticam o BRICS! Isso soa bastante estranho", apontou.

A porta-voz sugeriu que a agressão dos EUA e de Israel sim, representa "um motivo comum para a crítica".

Além disso, reiterou que "existe a compreensão por parte de todos os países membros do BRICS de como se poderia sair desta situação. E que cada Estado, em sua própria linguagem, com suas próprias formulações e baseando-se em sua própria análise, de uma ou outra maneira, se pronunciou sobre este tema".