Autoridades israelenses explicaram a diplomatas norte-americanos que o governo iraniano "não está cedendo" e que está disposto a "lutar até o fim", apesar dos ataques conjuntos de Washington e Tel Aviv e do assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. A informação foi publicada na terça-feira (17) pelo The Washington Post, que citou um telegrama do Departamento de Estado dos EUA.
Segundo o jornal norte-americano, o telegrama divulgado na sexta-feira (13) pela Embaixada dos EUA em Jerusalém resume as recentes reuniões entre autoridades norte-americanas e altos membros do Conselho de Segurança Nacional de Israel, bem como do Ministério da Defesa e do Ministério das Relações Exteriores.
Além disso, a mensagem indica que as autoridades israelenses comentaram com os funcionários americanos que esperavam que o assassinato de Ali Khamenei gerasse "mais caos" na estrutura de poder iraniana de forma imediata. No entanto, elas ressaltaram que, nos últimos dias, a República Islâmica tem demonstrado manter o controle, o que fica evidente em sua capacidade de lançar mísseis balísticos e drones "onde bem entenderem".
Embora os relatórios indicassem que Mojtaba Khmenei, filho e sucessor do líder supremo falecido, tivesse ficado ferido em um ataque aéreo, o telegrama especifica que os funcionários israelenses afirmaram que ele "continuava no comando" e que estava "mais alinhado" com os setores radicais da Guarda Revolucionária Islâmica do que seu pai.
Nesse contexto, especularam que o governo iraniano poderia moderar sua postura caso o novo líder supremo falecesse, embora tenham alertado que ele é "teimoso" e que só poderia ser "derrubado por dentro".
"Erro de cálculo estratégico"
Suzanne Maloney, vice-presidente da Brookings Institution (EUA), expressou sua surpresa diante da aparente subestimação de Israel em relação às autoridades iranianas. "Essa suposição tão mal informada é surpreendente, considerando o notável nível de penetração da inteligência israelense no Irã", observou Maloney, que acrescentou que tanto Washington quanto Tel Aviv cometeram um "erro de cálculo estratégico".
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações militares em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações de substituição de sistemas onerosos dos EUA.