Vieira critica agressão contra o Irã e relembra acordo nuclear mediado pelo Brasil em 2010

Segundo o chanceler, a atuação do Brasil à época foi solicitada diretamente pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (18), em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado, que recebeu "com grande surpresa" o início de atos violentos e bombardeios de ambos os lados, destacando que o episódio ocorreu em um momento em que havia negociações em curso.

Nesse contexto, o chanceler destacou a histórica disponibilidade do Irã para negociações e lembrou que em 2010, o Brasil já conseguiu fazer com que o país se comprometesse com "a entrega de praticamente todo o material nuclear" ao exterior.

''A intermediação do Brasil e da Turquia foi pedida pelo presidente dos Estados Unidos ao Brasil numa carta, portanto está documentada'', revelou Vieira aos congressistas.

O chanceler lamentou a interrupção do processo, afirmando que, após a conclusão do acordo, ele perdeu validade porque "um importante ator não aceitou aplicá-lo".

Relembre:

Em junho de 2010, Lula e o então primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, intermediaram um acordo com o Irã para tentar reduzir as tensões em torno do programa nuclear iraniano. O entendimento, conhecido como Declaração de Teerã, previa que Teerã enviasse cerca de 1.200 kg de urânio pouco enriquecido para território turco, sob supervisão internacional, em troca de combustível nuclear destinado a um reator de pesquisa médica.

O acordo foi rejeitado pelos Estados Unidos, cuja diplomacia à época era comandada pela então secretária de Estado Hillary Clinton, e por países europeus, que argumentaram que a proposta não resolvia as principais preocupações sobre o programa nuclear do Irã. Menos de um mês depois, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma nova rodada de sanções contra Teerã.

Entenda o programa nuclear do Irã e a linha do tempo das negociações em nosso artigo.