Vítima de tráfico humano, brasileiro relata trabalho forçado no Camboja

Caso envolve retenção de passaporte e jornadas de até 16 horas em centro de fraudes após "oferta de emprego".

Um brasileiro foi levado ao Camboja após aceitar uma proposta de emprego e se tornou vítima de tráfico humano, segundo relato divulgado pelo Metrópoles nesta quarta-feira (18). O Ministério das Relações Exteriores acompanha o caso.

O homem informou à família, em novembro, que trabalharia no interior de São Paulo. Após a viagem, o contato passou a ser esporádico. Dias depois, familiares descobriram que ele estava no Camboja e que teve o passaporte retido ao chegar ao país.

Ele permanece em um complexo controlado por criminosos e é forçado a aplicar golpes online. A jornada chega a 16 horas por dia.

Em uma chamada de vídeo, familiares identificaram sinais de vigilância. O homem relatou punições com agressões e choques elétricos. Para sair do local, disse que precisa pagar US$ 800 para recuperar o passaporte.

Após a divulgação do caso nas redes sociais, ele relatou ameaças. "Eles vão me matar, vão me prender", disse a um parente.

A família acionou o Itamaraty, que informou ter encaminhado o caso às autoridades do Camboja por via diplomática. Segundo o órgão, cabe à polícia local investigar e conduzir procedimentos para eventual liberação.

O ministério afirmou que adota um protocolo de atendimento a vítimas de tráfico internacional e acompanha a situação por meio da embaixada brasileira em Phnom Penh. Também informou que o país asiático realiza operações contra centros de golpes desde janeiro, com ações previstas até abril.

O governo brasileiro ainda declarou que mantém cooperação com autoridades estrangeiras para assistência consular e retorno de vítimas, mas não indicou prazo para resolução do caso.