
Cientistas chineses usam bactéria E. coli em terapia contra o câncer

Cientistas da Universidade de Shandong, na China, afirmam ter transformado uma bactéria do intestino humano, a Escherichia coli (E. coli), em em um meio capaz de produzir, diretamente em seu interior, um medicamento contra o câncer. Isso seria capaz de reduzir drasticamente os efeitos colaterais tóxicos da quimioterapia tradicional, sugere um estudo, publicado na revista PLOS Biology na terça-feira (17).

A pesquisa foi realizada em camundongos com câncer de mama e abre caminho para terapias oncológicas altamente direcionadas.
A equipe trabalhou com uma cepa específica e inofensiva, a E. coli Nissle 1917 (EcN), originalmente isolada por um médico alemão durante a Primeira Guerra Mundial e usada há décadas como probiótico para tratar doenças gastrointestinais. Os cientistas modificaram geneticamente a bactéria para que produzisse o agente anticâncer Romidepsina (também conhecido como FK228), um fármaco aprovado nos EUA para tratar linfoma e estudado contra tumores sólidos.
Ao injetar a bactéria modificada em camundongos com câncer de mama, os pesquisadores observaram que a EcN colonizava seletivamente os tumores e começava a liberar o medicamento no microambiente canceroso.
Os resultados foram promissores, com quatro cepas apresentando efeitos inibidores do tumor sendo "quase idênticos" aos da droga administrada diretamente, enquanto uma cepa performou "ainda melhor", com toxicidade reduzida. Alguns camundongos do grupo tratado apenas com a droga morreram, enquanto a mortalidade foi menor no grupo que recebeu as bactérias modificadas. Os pesquisadores ressaltam que o trabalho ainda está em estágio inicial e não foi testado em humanos.
