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Enviado do Kremlin: 'Aliados da OTAN apoiam a Ucrânia, mas não os EUA'

Kirill Dmitriev comentou a recusa dos países da Aliança em apoiar os EUA em sua campanha militar conjunta com Israel contra o Irã.
Enviado do Kremlin: 'Aliados da OTAN apoiam a Ucrânia, mas não os EUA'Sputnik / Alexander Kryazhev

O enviado especial da presidência russa e diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, afirmou em uma postagem na rede social X nesta quarta-feira (18) que os países da OTAN ajudam a Ucrânia, que não é membro da organização, mas, por outro lado, não querem ajudar o maior doador da Aliança Atlântica, os EUA.

"Os aliados da OTAN apoiam a Ucrânia, mas não os EUA", escreveu, comentando as críticas do presidente americano, Donald Trump, contra seus aliados da aliança. O comentário de Dmitriev vem após o anúncio de que o bloco militar proclamou seu apoio à Ucrânia e garantiu que continuará fornecendo equipamentos, munições e sistemas de defesa aérea a Kiev.

O presidente dos Estados Unidos criticou duramente na terça-feira (17) os países da Aliança por se recusarem a ajudar Washington em sua agressão contra a República Islâmica. "Bem, fico desapontado por os EUA gastarem trilhões de dólares nela [na OTAN]. Imaginem só, trilhões ao longo dos anos. Muitos bilhões de dólares. É uma das razões pelas quais temos déficits e ajudamos outros países. E quando eles não nos ajudam, é claro que isso é algo que devemos levar em consideração", declarou Trump à imprensa após ser questionado sobre o assunto.

"Nós ajudamos a Ucrânia, e eles não nos ajudam com o Irã. Todos reconhecem que o Irã não pode ter uma arma nuclear", afirmou Trump, que acrescentou ainda que os EUA não precisam da ajuda de seus aliados da OTAN no estreito de Ormuz, embora tenha ressaltado que o bloco está cometendo "um erro muito tolo" e que a situação atual representa "um grande teste" para a aliança. "Não precisamos deles, mas eles deveriam estar lá", reiterou.

Coalizão que não se forma

Anteriormente, Trump havia expressado sua esperança de que "a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros países afetados por essa restrição artificial" enviassem navios de guerra para desbloquear o estreito de Ormuz.

Apesar das declarações de Trump, os aliados dos EUA não se apressaram em adotar medidas concretas nem em apoiar essa iniciativa. Nenhum dos países mencionados aceitou participar da operação.

O presidente americano então advertiu: "Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, acredito que será muito ruim para o futuro da OTAN".

  • Teerã fechou o estreito de Ormuz, que conecta o golfo Pérsico ao de Omã, após a agressão EUA-Israel, proibindo a passagem de todo tipo de embarcação e afirmando que não sairá da região "nem uma única gota de petróleo" por via marítima.
  • O bloqueio dessa rota marítima vital, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, impulsionou os preços do petróleo. Em 9 de março, o preço do barril registrou volatilidade históricasuperou os 100 dólares e se aproximou dos 120 nas primeiras horas do dia. Nesta segunda-feira, os contratos futuros do Brent voltaram a subir e foram negociados acima de 104 dólares por barril, nível não visto desde julho de 2022.
  • O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica reiterou que navios dos EUA e de seus aliados não podem atravessar o estreito. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o estreito de Ormuz segue aberto e está fechado apenas para embarcações de países considerados inimigos.